sexta-feira, fevereiro 6, 2026
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Crítica | Novela: Monica Iozzi e Miguel Falabella brilham em divertida e caricata série da Prime Video





É inegável sua carga afetiva na memória de gerações de brasileiros. Mais que um entretenimento, as novelas marcavam o tempo e o compasso das rotinas, sendo sempre o horário nobre de uma quantidade infindável de famílias. Entre o drama exagerado e as ponderações da vida cotidiana, pequenos universos ganhavam vida e personagens tão distantes da nossa realidade migravam para fora da tela. Músicas, moda e estilo de vida surgiam a partir de seus protagonistas. É irrefutável a conexão intrínseca entre ser brasileiro e ser consumidor de novelas. Direta ou indiretamente, todos fomos afetados por essa mídia que hoje já não nos afeiçoa tanto como antes.

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Mas voltando seus olhos para os anos áureos da TV brasileira, João Falcão e sua equipe de roteiristas fazem de Novela uma nostalgia deliciosa de uma das manifestações artísticas mais tupiniquins da nossa história. Misturando o formato novelesco do Brasil ao modelo exagerado e melodramático do México, a série Novela é uma ode à nossa arte – tão exportada para outros países -, sem se furtar do direito de entregar uma divertida sátira para a audiência. Brincando com figurinos flamboyants que exalam cores quentes em moldes geográficos, Falcão faz da sua original Prime Video uma caricatura das novelas mais queridas pelo consenso nacional, à medida em que acena carinhosamente para as icônicas A Usurpadora e Maria do Bairro, que tanto marcaram as vida dos noveleiros de plantão.

Não se levando tão a sério, o showrunner faz de Novela um experimento criativo autêntico e referencial, que mais do que olhar para nossa própria arte, faz também um paralelo com clássicos do cinema hollywoodiano contemporâneo. Aqui, somos levados pela mesma atmosfera inventiva e fascinante da comédia romântica A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, bem como para O Show de Truman, de Peter Weir. Abusando da metalinguagem, a produção é quase um estudo de caso onde a arte se auto analisa. E com um elenco dinâmico e envolvente, a série se torna quase uma inception de entretenimento, onde somos absorvidos por uma espiral alucinante de reviravoltas Shakespeareanas e casos românticos de dar inveja à Paola Bracho.

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Com Monica Iozzi assumindo o protagonismo, somos surpreendidos pelo seu talento e carisma para além das fronteiras como apresentadora. Se destacando ao lado de Miguel Falabella, ela faz de Novela uma vitrine para sua carreira e uma amostra de sua versatilidade como artista. Já o veterano é um contraste da persona de Iozzi e sabe dominar a tela com facilidade. Pedro Ottoni, Luana Xavier, Herson Capri, Marcelo Antony, Maria Bopp, Caio Menck, Leandro Villa, Yara de Novaes e Suzy Rêgo completam o elenco de maneira excelente, trazendo dinamismo para as telas em caricaturas leves e performáticas.

Trazendo autenticidade para a produção local, a nova série original da Prime Video é também uma ótima forma de conectar o público global ao que o Brasil sempre fez de melhor artisticamente. Seguindo um formato despretensioso e saudoso, que vez outra nos leva à amada Jane The Virgin (versão americana da novela mexicana Joana, a Virgem), Novela é um banquete de referências POP que não tem medo de flertar com o piegas e cafona. Mas abraçando essas duas características com força, Falcão faz de sua produção uma oportunidade valiosa de servir um entretenimento de altíssima qualidade, que encanta, faz suspirar e ainda homenageia tantos dramaturgos brasileiros que fizeram história com suas novelas.

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