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Crítica | Novo episódio de ‘Only Murders in the Building’ aumenta tensões e mostra um Arconia em polvorosa


Cuidado: spoilers à frente.

Após ter introduzido três icônicos antagonistas que prometem tornar o trabalho dos nossos heróis ainda mais difícil, Only Murders in the Buildingretornou com um quinto episódio um pouco mais reduzido em escopo – mas trazendo mais elementos bastante intrigantes para o mistério a ser resolvido por Charles (Steve Martin), Oliver (Martin Short) e Mabel (Selena Gomez). Intitulado “Tongue Tied”, o mais recente capítulo de uma das séries mais populares e prestigiadas da atualidade mergulha fundo em estudos de personagens complexos e que singram com maestria entre o drama e a comédia – além de colocar um ponto de interrogação nas relações futuras do trio protagonista.

Comandado pela dupla Shari Springer Berman e Robert Pulcini, a iteração já se inicia com o retorno da vencedora do Oscar Da’Vine Joy Randolph como a Detetive Donna Williams – que, desde a primeira temporada, possui laços com os detetives amadores e, como poderíamos imaginar, retorna para auxiliá-los em uma das tramas mais perigosas e intricadas já enfrentadas por eles. Mas o foco não é apenas nas investigações, e sim nas múltiplas subtramas que se espalham entre os personagens, desde a percepção derradeira de que, talvez, Oliver esteja pronto para deixar sua vida no Arconia para trás, enquanto Mabel se vê na possibilidade de perder um de seus amigos mais próximos à medida que fica mais envolvida com o assassinato de Lester (Teddy Coluca) e de Nicky (Bobby Cannavale).



Em outro espectro, uma nova pista chama a atenção dos detetives – incluindo uma crescente revolta entre os funcionários do edifício frente à chegada do porteiro-robô LESTR (cuja voz é emprestada de Paul Rudd) e em meio a inúmeros problemas que tinham, incluindo certos ressentimentos não resolvidos para com o saudoso Lester (ora, Mabel e Oliver inclusive descobrem uma mensagem ameaçadora que diz “morra, Lester, morra”). Charles, por sua vez, reforçado com poderosas doses de testosterona por seu médico, redescobre um ímpeto pela vida que o leva a um encontro inesperadamente romântico e com subtextos sexuais com a viúva de Nicky, Sofia (Téa Leoni), tornando o trabalho de investigá-la mais difícil e potencialmente problemático.

Apesar da tensão promovida pelo capítulo anterior ter sido bastante reduzida, Berman e Pulcini constroem um barril de pólvora prestes a explodir que nutre de conflitos e rixas internas no Arconia e que abrem ainda mais espaço para o número infindável de suspeitos envolvidos com o duplo homicídio – e essa temática, que bebe em certos aspectos dos mistérios neo-noir dos anos 1940 e 1950 e remodela os tropos do gênero em uma ácida e incisiva comédia. Os cínicos diálogos são pincelados com um proposital anticlímax que prenuncia o árduo trabalho de Oliver, Mabel e Charles para encontrar os culpados – e essa é a sutil beleza do episódio que nos envolve em breves 35 minutos.

As glórias do capítulo se destinam a um potente finale que é preparado com esmero pelo roteiro de J.J. Philbin – que também assume uma das cadeiras da produção executiva da atração. Garantindo que as profusas tramas convirjam para um ponto em comum, somos engolfados em uma ramificação da cabulosa trama que revela uma artimanha às escondidas – envolvendo a empresa que lavava o dinheiro adquirido por Nicky e um suposto pacto envolvendo Sofia e a ex-esposa do falecido Lester, Lorraine (Dianne Wiest), deixando os espectadores à beira do assento para descobrir o que acontecerá na próxima semana.

Entre os vários destaques, que incluem a contínua química irretocável entre Gomez e Short, Martin é o que rouba os holofotes. Como bem sabemos, o icônico ator tem um timing cômico inestimável, e sua afeição pela comédia corporal grita em urgência magnífica nesta mais recente iteração da temporada – permitindo que ele se divirta como nunca e aproveitando a resposta imediata e certeira de Leoni, que brilha na mesma intensidade mesmo não tendo tanto tempo cênico quanto seu parceiro. E, conforme nos aproximamos do glorioso cliffhanger, essa explosão entre os atores ganha uma nova e interessante camada que, ao mesmo tempo que traz páginas emprestadas do primeiro ciclo da série, é carregado com uma originalidade apaixonante e instigante.

Only Murders in the Building reduz o ritmo e o frenesi narrativo com o quinto episódio de sua mais recente temporada – mas faz isso com uma sagacidade indelével à própria estrutura da obra, permitindo que seus atores brilhem mais uma vez ao passo que navegam pelos misteriosos e obscuros corredores do Arconia.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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