Crítica | O Assassino de Valhala – Série da Netflix tem muito Drama e pouco Suspense

Nos últimos tempos a Netflix tem ofertado em seu catálogo diversas produções que fogem daquele lugar-comum hollywoodiano (embora muitas delas se assemelhem com a proposta estadunidense de produzir entretenimento). É assim que somos presenteados com a nova série islandesa ‘O Assassino de Valhala’. É isso mesmo que você leu: uma série da Islândia, aquele país nórdico onde a cantora Björk mora.

Na gelada e pacata Borgarnesi, o brutal assassinato de Pòr abala o cotidiano dos moradores locais e obrigada o departamento de polícia a se mexer. Encabeçando a investigação, a detetive Kata Ketún (Nína Dögg Filippusdóttir) começa a encontrar dificuldades para realizar seu trabalho por causa da burocracia imposta por Helga (Tinna Hrafnsdóttir), a nova Superintendente de Investigação – posição que Kata esperava ocupar. Não bastasse isso, Kata ainda tem que aceitar a chegada de Arnar (Björn Thors), seu novo parceiro que vem de Oslo somente para colaborar na investigação. Só que, o que parecia ser um assassinato brutal isolado rapidamente se desenvolve para um possível caso de serial killer envolvendo outras cidades.

Um dos pontos mais legais da produção é o fato de ser, como dissemos, uma série islandesa, e isso nos tira da mesmice. As cenas de plano aberto nos apresentam uma Helsinki e uma Borgarnesi debaixo de neve o tempo todo, cujas estradas, vistas de cima, parecem veias escuras em uma imensidão branca sem fim. Também nos mostra um país totalmente desconhecido do público comum: com cidades isoladas umas das outras, com alto grau de desenvolvimento na capital e uma língua que, se prestarmos bem a atenção, nos lembra traços do alemão, do francês e do inglês.

Além disso, por ser uma ilha distante da costa europeia, a série nos mostra como o país também depende de muitos recursos da Noruega – que parece ser o país com quem a Islândia trava a maioria das suas relações. Prova disso é o fato do personagem Arnar vir de Oslo para ajudar na investigação, e o departamento policial ter que enviar as amostras de DNA para a capital da Noruega para serem analisadas, pois a Islândia não teria seu próprio laboratório analítico nem seu próprio departamento legista. Chama a atenção também a maneira brusca com que seus personagens simplesmente deixam os outros falando sozinhos o tempo todo, seja por desligarem o telefone na cara deles, seja por saírem andando, batendo a porta atrás de si. Eu hein.

Valendo-se da popularidade do nome Valhala, a série, num todo, apresenta mais drama que suspense. Isto porque à medida que avança no desdobramento do possível serial killer, o roteiro de Ottar Nordfjord (com a colaboração de outras pessoas) desvia diversas vezes, seja construindo o drama pessoal de seus dois protagonistas (que, a bem da verdade, pouco se resolvem e pouco influem no foco principal da trama), seja distraindo o espectador com informações que não se ligam à história nos oito episódios que compõem esta primeira temporada.

Ainda assim, é uma série de suspense policial bem redondinha, com boas atuações e que entretém dentro da sua proposta de mistério. O ritmo acelera já no final do 7º episódio e, no final das contas, ‘O Assassino de Valhala’ nos deixa a vontade de uma segunda temporada – nem que seja para a gente voltar a ver as paisagens de tirar o fôlego da Islândia.

Notícias

Cillian Murphy e Jack O’Connell interpretarão IRMÃOS em ‘Um Lugar Silencioso 3’

Em entrevista ao Collider, Jack O'Connell ('Pecadores') revelou novos...

Lea Michele retornará como Rachel Berry no reboot de ‘Glee’

De acordo com o Variety, Lea Michele ('Scream Queens')...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.