Um perigoso ex-condenado com o poder de um celular nas mãos é o ponto central de uma minissérie documental de apenas dois episódios, que reconstrói um desaparecimento inesperado na Espanha. Essa situação, que logo se transforma em um caso que intrigou a opinião pública e colocou na vitrine as ações das forças policiais. Essa assustadora história, vista em O Assassino do TikTok, é mais um macabro True Crime que chega à Netflix.
A primeira coisa que chama a atenção é o título, deveras sensacionalista, que busca chamar a atenção do público para uma história de crueldade e do comportamento manipulador de um assassino impiedoso. No entanto, a maneira como se conta essa história, sem grande desenvolvimento de suas figuras-chave, deixa muito a desejar. A narrativa atravessa detalhes superficiais em um ritmo lento que mistura as peças do quebra-cabeça de maneira não equilibrada, deixando principalmente a primeira parte do projeto documental confusa em diversos momentos.

Sem perder tempo e apresentando a vítima através de depoimentos de familiares e amigos, nessa primeira parte vamos conhecendo Esther Estepa, uma mulher de 42 anos muito amada por seus amigos e pela família. Ela gostava de viajar, mas sempre estava em contato com a mãe. Do dia pra noite, desapareceu cerca de três anos atrás em uma região do litoral espanhol.

A partir de vídeos publicados na internet por um homem mais velho, descobre-se que seu destino se cruzou com o desse nômade que percorria vários lugares da Espanha, postando seus vídeos no TikTok. A questão é que esse homem, José Jurado Montilla (também conhecido como Dinamita Montilla), escondia um passado sombrio, repleto de acusações e condenações, sendo a última pessoa a vê-la com vida. Em uma investigação feita pela própria família, em partes, através dos vídeos disponíveis na rede Tiktok, o suspeito era bastante óbvio desde o início.

Na segunda parte do documentário, as lacunas permanecem com poucos preenchimentos, mas passamos a entender melhor alguns acontecimentos e aspectos sobre a investigação policial que se seguiu. Também cruzamos com o passado criminoso do provável assassino: nos anos 1980, Dinamita Montilla foi condenado a mais de 100 anos de prisão, cumprindo menos de 30, ficando solto e envolvido em mais um assassinato.
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Nesse ponto, surgem também algumas críticas em relação a como a polícia espanhola conduziu sua investigação, nos levando a crer que, se a família não tivesse se mobilizado para encontrar pistas sobre ocorrido, provavelmente não teria desfecho essa história.

O Assassino do TikTok é mais um caso chocante de feminicídio que coloca em evidência a atuação da investigação policial e a justiça de um dos principais países da Europa. Mas, acima de tudo, mostra como um monstro à solta pode destruir a vida de toda uma família, que nunca mais vai poder abraçar sua ente querida.



