InícioCríticasCCrítica | O Cidadão Ilustre

Crítica | O Cidadão Ilustre


Vencedor do prestigiado prêmio Goya esse ano na categoria melhor filme Iberoamericano e nomeado ao disputado Leão de Ouro na categoria melhor filme no Festival de Veneza do ano passado, o longa metragem argentino O Cidadão Ilustre mescla o desenrolar da reclusão às cômicas e inusitadas consequências de um retorno para o primeiro lar transformando as duas horas de projeção em momentos tragicômicos que ficarão na memória dos cinéfilos mundo a fora. Oscar Martínez, que interpreta o protagonista dessa história, merece muitos créditos pela sua bela interpretação.

Na trama, conhecemos o recluso e porque não dizer rabugento escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um senhor de idade que mora a cerca de 40 anos na Europa e ganhou recentemente o grande prêmio Nobel de Literatura. Certo dia, recebe um convite da prefeitura de sua cidade natal, Salas, na Argentina, para ser homenageado. Depois de muito pensar, acaba aceitando o convite e embarca em uma jornada alucinante onde colocará em prova tudo o que representa para os habitantes do local e alguns velhos conhecidos.

O roteiro, assinado por Andrés Duprat (do ótimo O Homem ao Lado), é cirúrgico. Consegue prender o espectador do primeiro ao último minuto. A história está longe de ser um show de simpatia dos personagens, pelo contrário, o protagonista enfrenta todo tipo de opinião sobre sua pessoa, que vão desde de um pai pedindo ajuda para seu filho deficiente (como se fosse a obrigação do escritor ajudar) até o curioso secretário ligado às artes que o persegue por conta de um veto de Daniel em um simples concurso de pintura. O filme arranha um novelão quando um antigo amor aparece mas consegue driblar qualquer dramalhão mexicano com situações para lá de engraçadas, uma em particular,ótima, envolvendo a filha de sua ex-amada.



A mudança na maneira de pensar acompanha o protagonista do segundo arco em diante quando acaba cedendo em algumas situações, muito provocado por dívidas que são criadas com seu passado. O lado emocional do famoso escritor acaba tendo uma virada, sem saber o que esperar quando chega na cidade, acaba percebendo em alguns momentos que virou alvo de seus próprios contos. No resumo de sua história, podemos afirmar que um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo: uma boa história para contar.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS