Crítica | O Date Perfeito – Uma comédia romântica bobinha apoiada no sucesso de Noah Centineo

Crítica | O Date Perfeito – Uma comédia romântica bobinha apoiada no sucesso de Noah Centineo


Nota:


Com duas comédias românticas adolescentes em cartaz no Netflix no último ano, Para Todos os Garotos que Já Amei (2018) e Sierra Burgess é uma Loser (2018), Noah Centineo tornou-se o novo galã do gênero tal como Freddie Prinze Jr. na virada do século XXI (Ela é Demais, Louco Por Você, Amor ou Amizade, etc). Esta introdução é obrigatória, uma vez que O Date Perfeito (The Perfect Date) é totalmente feito e levado pelo ator norte-americano de 22 anos, com seu carisma e charme de bom rapaz.

Sem as qualidades do protagonista, o filme não seria suportável por mais de meia hora. O enredo inteiro se desenrola neste tempo de forma previsível e a sequência é uma jornada pouco criativa e interessante. Aos 18 anos, Brooks Rattigan (Centineo) quer ir para Universidade de Yale, mas precisa escrever uma ótima carta de motivação e juntar dinheiro para pagar os estudos.

Estudante da escola pública, Brooks descobre um novo mundo ao aceitar a maçante tarefa de levar a prima de um colega da escola para um baile em troca de dirigir um caríssimo veículo, além de uma grana extra. Assim, ele conhece Celia Lieberman (Laura Marano), a rebelde adolescente que não se encaixa no perfil jovem rica tal como as companheiras da escola particular. Para “vestir” sua diferente personalidade, ela coloca uma jaqueta sobre o vestido  e botas.

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Para lidar com características bastante estereotipadas, Brooks tenta ser atencioso, gentil e amigável, mas recebe patadas da raivosa adolescente com dificuldade de confiar nas pessoas e se abrir para o mundo. Não é necessário muito mais para saber o que acontecerá no final. A parte de criar um aplicativo para ser o “date perfeito” de alguém e juntar dinheiro, a qual deveria ser o ponto alto da história, é bastante rasa.

As noites com as meninas passam como uma troca de fantasia para o protagonista. Os encontros ocorrem e acabam sem nenhum resultado, isto é, ele não recebe comentários, não existe uma contrapartida de todas essas garotas com dinheiro para pagar um acompanhante ou ainda os problemas delas não são externalizados. Apenas um exemplo entra no roteiro para fazer o protagonista perder a “garota dos sonhos” (Camila Mendes) e perceber que os momentos de felicidade vêm de outra fonte.

Tudo é metrificado para ocorrer o primeiro encontro, o apaixonamento, o desentendimento e a reunião do casal. Todas essas etapas, no entanto, são realizadas sem emoção, sem envolvimento entre os atores e, principalmente, sem engajamento com o público. Em uma hora e meia, Brooks resolve os seus dilemas em relação à universidade e arranja uma namorada, mas suas questões familiares e de amizade são estranhamente deixadas para escanteio.

Os bons momentos de conversa entre pai (Matt Walsh) e filho passam rápido, assim como os de fraternidade entre o protagonista e Murph (Odiseas Georgiadis). O Date Perfeito é básico demais até para uma comédia romântica adolescente, falta graça, romance e emoção, contudo sobra o grande sorriso do protagonista, infelizmente, sem nenhuma conexão com o seu par românico. Com direção do desconhecido Chris Nelson (Saindo do Armário) e roteiro de Steve Bloom (Uma Noite Mágica) e do estreante Randall Green, o filme é um passatempo inofensivo tanto quanto insosso da Netflix.



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