Crítica | O Doutrinador - Anti-herói brasileiro em filme com qualidade de blockbuster hollywoodiano

Crítica | O Doutrinador - Anti-herói brasileiro em filme com qualidade de blockbuster hollywoodiano

Nota:

O cinema nacional tem evoluído muito nos últimos anos, e estamos ganhando filmes que fogem das comédias escrachadas produzidas pela Globo Filmes ou dos dramas feitos para festival que não alcançam muitas salas de cinema. Estamos em uma era em que as produções nacionais ganharam qualidade de cinema de fazer jus a Hollywood, com filmes de gênero surpreendentes e muito bem produzidos, como os recentes 'As Boas Maneiras', 'Canastra Suja', 'Aos Teus Olhos', entre outros.

Porém, são poucos os filmes nacionais de ação que ganham destaque por sua qualidade. E para a nossa sorte, 'O Doutrinador' é um deles. Com uma fotografia espetacular e cinematográfica, uma direção rebuscada e cenas de ação no melhor estilo Marvel/DC, temos um filme grandioso de anti-herói que promete conquistar a audiência brasileira no dia 1º de novembro.

Baseado na HQ homônima criada por Luciano Cunha, e adaptada para os cinemas por Gabriel Wainer, 'O Doutrinador' acompanha Miguel (Kiko Pissolato), um agente federal altamente treinado e perito em armas. Ele e sua equipe finalmente conseguem provas contra um governador que está roubando dinheiro da saúde e deixando os hospitais caóticos, mas a corrupção dentro da organização e em todo o sistema causa a libertação do político - que ri não apenas da situação, mas também da população brasileira.



Após uma pessoa de sua família ser assassinada, Miguel parte para uma jornada pessoal de vingança e assume a identidade de um vigilante mascarado. O Doutrinador resolve fazer justiça com as próprias mãos exterminando políticos e donos de empreiteiras corruptos. Seu maior objetivo é combater uma quadrilha de políticos e bandidos que tomaram a frente da política brasileira e passaram a governar o país pensando apenas em seus próprios interesses.

Apesar de trazer como pano de fundo a situação política desoladora que o país se encontra, o filme foca na jornada do nosso protagonista e seu dilema entre ser o mocinho ou o vilão. E essa ambiguidade do protagonista traz uma trama repleta de reviravoltas e cenas de ação e violência, com cabeças explodindo e sangue voando para todos os lados. Para os amantes do cinema gore, o filme é um deleite.

As cenas de ação são muito bem dirigidas pelo Gustavo Bonafé ('Legalize Já'), que constrói um visual moderno e espetacular que remete às produções de Zack Snyder, utilizando locações belíssimas e obscuras contrastando com o vermelho da máscara do nosso anti-herói. É uma direção cuidadosa e detalhista, que rende um deleite visual esplendido.

Quem rouba a cena é o ator Kiko Pissolato, que vive o protagonista, e está sensacional nas cenas de ação e também nos momentos que necessitam de uma carga dramática maior. Ao seu lado, no melhor estilo Batman e Robin, está a hacker Nina, uma garota com um divertido humor ácido que também foi vitima do sistema. A personagem é interpretada pela ótima Tainá Medina, em uma grande atuação. A dupla tem uma ótima química em tela.

Marília Gabriela, apesar de aparecer em poucas cenas, também entrega uma atuação surpreendente. O elenco ainda conta com Eduardo Moscovis, Helena Ranaldi, Samuel de Assis e Tuca Andrada.

O único ponto negativo do filme está em seu terceiro ato, que se estende demais em subtramas banais e acaba cansando um pouco o espectador, mas se redime com um final explosivo que encerra a história de maneira extremamente satisfatória.

'O Doutrinador' é o cinema nacional em sua melhor forma, mostrando que a qualidade das nossas produções evoluiu a ponto de fazer jus aos blockbusters hollywoodianos, e que temos potencial para contar histórias interessantes sobre o nosso próprio país.





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