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Crítica | O Esquema Fenício – Wes Anderson Traz Benício Del Toro como Investidor Paranoico


O Fantástico Sr. Raposo’, ‘O Grande Hotel Budapeste’, ‘Os Excêntricos Tenenbaums’, ‘A Incrível História de Henry Sugar’, ‘Asteroid City’, ‘Ilha dos Cachorros’, ‘A Crônica Francesa’. O que todos esses filmes têm em comum? O nome Wes Anderson assinando a direção do projeto. O diretor texano, conhecido por ter uma assinatura bastante peculiar em tudo que realiza, volta aos cinemas brasileiros com seu mais novo longa, ‘O Esquema Fenício’, que chega ao circuito exibidor nacional a partir dessa semana.

Zsa-Zsa Korda (Benício Del Toro, de ‘Os Suspeitos’) é um multimilionário que viaja o mundo criando alianças e investindo em construções e empreendimentos. Após sucessivas tentativas de assassinato, Zsa-Zsa decide voltar à sua casa e mudar seu testamento, deixando a administração de suas empresas à sua única filha, Liesl (Mia Threapleton, de ‘Os Bucaneiros’), e, para isso, conta com a ajuda do advogado Bjorn (Michael Cera, de ‘Superbad – É Hoje’). Para que tudo ocorra tal qual, Zsa-Zsa viaja com Liesl e Bjorn para diversos locais no mundo, a fim de se encontrar pessoalmente com seus parceiros investidores de modo que conheçam sua herdeira e, com isso, possa pedir maior investimento financeiro da parte deles em um trecho de ferrovia que ficou faltando construir. Ao longo dessa viagem, muitas revelações irão ocorrer.



Com uma hora e quarenta de duração, ‘O Esquema Fenício’ passa a sensação de durar bem mais ao espectador devido à verborragia no roteiro de Anderson com Roman Coppola, que entrega falas longuíssimas, cheias de explicações sobrepostas especialmente proferidas pelo protagonista Zsa-Zsa. Como essas falas são explicações que percorrem todo o longa a cada novo personagem que ele encontra, acaba pesando um pouco no ritmo do filme.

Vale contar que esta é a primeira vez que Wes Anderson trabalha com um novo fotógrafo – dessa vez, quem assina o projeto é Bruno Delbonnel (de ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’), e tal mudança provoca duas sensações em quem acompanha o diretor: a primeira é que, se você não tem essa informação primeva, você nem sente a mudança, pois a assinatura de Anderson está em absolutamente todas as cenas. A segunda é que Bruno Delbonnel faz um trabalho fabuloso com sua câmera, não só propondo ângulos inusitados, mas, principalmente, abraçando toda a cenografia do longa (com direção de Anna Pinnock). Todas as locações são transformadas em ambientes de tirar o fôlego, que crescem na telona em múltiplas camadas de cores. Uma cena específica, a dos créditos iniciais, em que Zsa-Zsa toma banho de banheira enquanto é atendido por enfermeiras, é simplesmente arte pura. Um deslumbre só!

Além do trio principal, ‘O Esquema Fenício’ ainda conta com luxuosas participações que poucos diretores conseguem reunir: Willem Dafoe, Tom Hanks, Riz Ahmed, Jeffrey Wright, Bill Murray, Scarlett Johansson e Benedict Cumberbatch. Mesmo cada um deles interpretando um personagem, são grandes talentos que toparam participar em papéis de outros núcleos tão somente para estar num filme de Anderson – o que reforça sua importância para a cinematografia mundial.

Para os que acompanham a carreira do diretor, os temas comuns estão lá: a paranoia, a família desfuncional, as passadas de perna, a fina ironia da vida, o suave sarcasmo que beira o absurdo, a comédia do improvável. Descabido que nem seu diretor, ‘O Esquema Fenício’ entrega surrealismo, humor e beleza em cento e quarenta minutos de exibição.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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