Crítica | O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio – Um filme de ação de tirar o fôlego

Crítica | O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio – Um filme de ação de tirar o fôlego

Nota:


O Exterminador Mexicano

O México sempre figurou nas mais diversas produções Hollywoodianas. Mas após as polêmicas na administração de Donald Trump, o país vizinho dos EUA ganhou nova conotação. Agora, é impossível olharmos para qualquer produção que dê foco ao país com os mesmos olhos – afinal, uma obra cinematográfica é um atestado artístico e passa uma mensagem, mesmo que de forma não tão explícita ao grande público.

Recentemente, por exemplo, tivemos uma controvérsia cercando o novo Rambo – Até o Fim (em cartaz nos cinemas pelo mundo), onde na trama, o veterano de guerra vivido por Sylvester Stallone parte para se vingar de bandidos mexicanos que fizeram sua sobrinha de escrava sexual, sequestrando-a. Não tenho certeza se a polêmica é justificada, uma vez que sua sobrinha Gabrielle (papel da bela jovem Yvette Monreal), sua companheira (Adriana Barraza) e uma jornalista (Paz Vega) estão presentes para contradizer a afirmação de que todos os mexicanos são bandidos esterotipados. Bem, o mesmo argumento pode ser feito pelos detratores em relação a Os 3 Infernais, novo terror em que Rob Zombie leva seus psicopatas americanos para um confronto com criminosos mexicanos.

Com o novo O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, o grande foco da trama é também o México. É no país que a bela (e extremamente sarada) Grace – a nova exterminadora parte humana -, vivida por Mackenzie Davis, cai. No local, ela precisa encontrar e proteger Daniella Ramos (a colombiana Natalia Reyes), uma jovem mexicana. Dani é a Sarah Connor da vez, isto é, futura mãe do líder da resistência contra as máquinas. Até mesmo o exterminador inimigo aqui é mexicano, papel do americano de descendência mexicana Gabriel Luna.

Além desta forte representatividade racial, o novo Exterminador aposta na diversidade feminina, colocando nos holofotes três protagonistas mulheres guiando esta superprodução Hollywoodiana. Este é, sem dúvidas, um dos aspectos mais satisfatórios do blockbuster – subverter uma franquia essencialmente masculina, dando ênfase a personagens tão fortes quanto.

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E para os que acharam que o último exemplar, Gênesis (2015), caprichou na nostalgia, o novo Destino Sombrio segue pelo mesmo caminho – mas de forma muito mais bem inserida na trama. Temos, por exemplo, a volta de uma jovem caçada por motivo de uma vindoura maternidade, como no primeiro filme de 1984. E para protegê-la de um vilão que não pode ser parado, uma personagem que é, em partes, humana. Do segundo filme temos o vilão, dando um passo além do T-1000 (Robert Patrick) em questão estética, conceito bacana e ameaça (acredite!). O novo longa funciona como terceira parte da franquia, esquecendo os três títulos anteriores (A Rebelião das Máquinas, de 2003; Salvação, de 2009, e o citado Gênesis).

Sendo assim, a participação de Linda Hamilton é irretocável, dando continuidade à durona que amamos de O Julgamento Final (1991). Sarah Connor é quem deveria ser, a evolução de sua personagem é criada de forma muito orgânica. O lance é que agora, Connor se torna coadjuvante de luxo da história, criando um apelo muito mais afetivo do que de fato possui importância na trama. Nada que afete o impacto de termos novamente Linda Hamilton saindo do ostracismo para chutar traseiros. Já Arnold Schwarzenegger mostra que seu T-800 se transformou mesmo em arroz de festa, precisando constar na franquia, sem adicionar muito além de alívio cômico.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio conta pela sexta vez a mesma história, e em matéria de roteiro não é inovador. Mesmo assim, funciona como terceira parte, realmente se mostrando a melhor continuação depois do segundo filme. Mas, se peca numa trama reciclada, acerta em algumas das melhores cenas de ação do cinema entretenimento dos últimos anos. Há muito tempo não víamos  a confecção de cenas que misturam harmoniosamente tensão, ameaça, empolgação, com a adrenalina de um domínio completo do cenário da ação. Ponto para Tim Miller, diretor de Deadpool, que mostra que não foi fogo de palha em seu primeiro longa.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é um dos melhores filmes de ação, se formos avaliar apenas este quesito, dos últimos anos. As cenas são grandiosas e nos remetem ao cinema entretenimento em seus primórdios, em que os acontecimentos tinham peso e sentíamos pelos personagens, nos importando com o que vemos na tela. Em seu saldo final, o novo longa faz mais bem do que mal, e devido a suas inúmeras boas intenções se torna uma das melhores pedidas no terreno do cinema pipoca para este fim de 2019. E que o girl power be back!



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