Adolescentes que aprontam, um assassino que os transforma em alvo. Você já deve ter ouvido falar de algo assim antes, não é mesmo? Avançando pelo subgênero do terror – o já conhecido slasher -, o longa-metragem O Palhaço no Milharal, baseado na obra homônima do escritor Adam Cesare, busca numa formula batida apresentar um duelo geracional insosso e um discurso acomodado sobre o despertar pra sexualidade, que perde logo o fôlego.
Quinn (Katie Douglas) é uma adolescente que se muda para uma nova cidade – a fictícia Kettle Springs – com o pai, o médico Glenn (Aaron Abrams), após a perda da mãe. Nesse novo ambiente, ela rapidamente faz amizade com alguns jovens, principalmente com Cole (Carson MacCormac). Acontece que um grupo de pessoas vestidas com a fantasia de um palhaço famoso da história local anda tocando o terror pela cidade, e Quinn e seus amigos acabam se tornando os próximos alvos.

Dirigido pelo cineasta norte-americano Eli Craig, a obra mira em seu público-alvo, os eternos seguidores de um dos subgêneros cinematográficos que se tornou popularizar a partir dos anos 1970. Sangue por todo lado, mortes mirabolantes, violência e uma eterna busca pela identidade do assassino: isso tudo tem nesse projeto. A questão é como esses elementos vão se relacionar numa narrativa cinematográfica – e, neste caso, é perceptível conflitos previsíveis, um roteiro protocolar e personagens que se escondem da palavra carisma.

Um fato que chama a atenção é a distância de possíveis coulrofobias (medo de palhaços). Essa ligação óbvia – a transformação do riso em ameaça – surpreendentemente não é explorada. A figura do palhaço aqui remete à memória geracional de uma cidade do meio oeste norte-americano, que vive dias sem os triunfos de outrora e sem se desprender do conservadorismo. Esse ponto mais amplo, se enxerga apenas pelas entrelinhas, como se estivesse velado e sugerido pela atmosfera que se forma.

Esse filme é um clássico exemplo de como o não arriscar pode gerar certa indignação em quem assiste. Como entretenimento, se limita ao mais do mesmo, com muitas pontas soltas, mesmo que exalte as características de um segmento do terror. A tentativa de algum fôlego em originalidade chega pelo embate em relação as gerações – um conflito que sempre vai existir, mas que aqui não ganha desafios, nem complexidade. Tudo fica solto, partindo para ações desenfreadas, com morte atrás de morte.



