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Crítica | O “trio vilanesco” está de volta para mais um estupendo episódio de ‘Only Murders in the Building’


Cuidado: spoilers à frente.

Semana a semana, Only Murders in the Building continua reiterando seu merecido status como uma das melhores séries da atualidade: em sua quinta temporada, os conhecidos tropos da comédia e das histórias de detetive se amalgamam com estudos de personagens que nos mantêm interessados do começo ao fim, sempre prontos para uma aguardada reviravolta que nos deixa ansiosos pelo próximo episódio. E o mais recente episódio permanece no altíssimo nível que vem sendo apresentado desde o início do ciclo – trazendo alguns de seus melhores personagens de volta para um enredo de tirar o fôlego e recheado de cliffhangers muito bem estruturados.

Como bem sabemos, o quarto episódio da temporada nos apresentou a um trio de antagonistas perigoso e bastante abastado: os bilionários Bash Steed (Christoph Waltz), Jay Pflug (Logan Lerman) e Camila White (Renée Zellweger) – todos membros do cassino secreto que o falecido Nicky Caccimelio (Bobby Cannavale) gerenciava no subsolo do Arconia. Após se tornarem suspeitos do assassinato do mafioso e do porteiro Lester Coluca (Teddy Coluca), os ricaços resolvem comprar as ações da plataforma Wondify, impedindo que Charles (Steve Martin), Oliver (Martin Short) e Mabel (Selena Gomez) os investigassem para o podcast que empresta seu nome ao título da série. Mais do que isso, Bash se passou pelo “caso romântico” de Charles para mantê-los sob vigília, controlando cada passo dos detetives amadores às escondidas.



Sem muito o que fazer a respeito disso, os nossos protagonistas resolvem entrevistar o Prefeito Tillman (Keegan-Michael Key), que lhes revela que Bash o emprestou dinheiro para financiar sua campanha para o cargo máximo da cidade de Nova York, devolvendo o favor com concessões constantes, placas honorárias e licenças civis que o colocaram na palma da mão do magnata da tecnologia. Cientes do perigo que podiam enfrentar, Charles, Oliver e Mabel viajam até uma obscura mansão no meio do nada em que Bash, Camila e Jay se reúnem – completamente isolados, sem acesso à internet e a telefones, em seus afazeres taciturnos. Ao invadirem a propriedade, o trio é pego pelos bilionários e eles resolvem propor um desafio para arrancar algumas explicações de seus principais suspeitos.

Para o episódio, Jessica Yu foi contratada para a cadeira de direção, retornando para o comando de seu terceiro capítulo na série. E, conhecendo seu trabalho no ótimo longa-metragem ‘Quiz Lady’ e em tantas outras produções, sabemos que ela tinha todas as habilidades necessárias para arquitetar a iteração – e ela faz isso com competência magnífica. Aliando-se ao roteiro de Taylor Cox e Pete Swanson, Yu não apenas traz elementos de produções como ‘Detetive’ e ‘A Casa Torta’ para compor a atmosfera quase fabulesca do episódio, mas garante que os antagonistas brilhem de maneira esplêndida, abrindo espaço para ainda mais perguntas sobre o duplo homicídio que assolou o edifício.

O destaque da semana é destinado a dois atores que nos arrebatam desde os primeiros minutos em que aparecem: Short, que continua a nos encantar com um timing cômico invejável e aplaudível que nos arranca risadas pela pungência dos diálogos e pela forma propositalmente exagerada com que o ator os entrega; e a Zellweger, que continua a mostrar seu apreço por um dos papéis mais despojados de sua carreira e que reflete sua admiração pela controversa personagem que interpreta. E, resgatando algumas referências do quarto capítulo, os dois atores desfrutam de uma breve cena juntos em que explodem em uma química divertida, hilária e muito ácida.

Um dos aspectos que mais nos chama a atenção na série como um todo é a beleza de seu roteiro: mesmo com deslizes aqui e ali, como pudemos ver na temporada anterior, o time de escritores supervisionado por Martin e pelo cocriador John Hoffman mostra ser humilde ao aprender com os erros e garantir que os mesmos equívocos não se repitam. Em “Silver Alert”, como é intitulada a sétima iteração do novo ciclo, isso fica ainda mais claro: de maneira franca e fluida, Cox e Swanson abrem espaço para uma trama política que envolve o misterioso dedo decepado que foi furtado pelos bilionários e o desejo de Camila em transformar o Arconia no primeiro cassino de Nova York, dilacerando o edifício em prol de um vício problemático e que, de alguma maneira, se relaciona com Nicky e Lester.

Only Murders in the Building continua afiado com mais um incrível capítulo, usando e abusando do talento de seu elenco e nos deixando tensos e intrigados com o desenrolar de uma das tramas mais complexas que a série já nos apresentou.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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