Crítica | One Day At a Time – comédia mais que necessária

Crítica | One Day At a Time – comédia mais que necessária




Dale, abuelita, dale!

Todo ano vemos nossas TVs e canais de streaming sendo invadidos por novos conteúdos, o que só aumenta o catálogo de produções audiovisuais que desejamos ver, porém, nem sempre possuímos tempo. Fato é que muitas dessas produções não marcam tanto o público ou causam impacto para que se eternizem na história, é preciso garimpar para encontrar aquela relíquia que quebra paradigmas e acrescenta algo novo, não ainda visto.

Em 2017 a Netflix decidiu fazer um reboot da série dos anos 1970, One Day At a Time, que levava o nome de Whitney Blake e Allan Manings como criadores. Apesar de alguns nomes semelhantes, as diferenças da versão de 42 anos atrás para a de Gloria Calderon Kellett (How I Met Your Mother) e Mike Royce (Men of a Certain Age) está na família retratada, nas histórias mostradas e na contemporaneidade do roteiro.

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A série, que se encontra com duas temporadas de 13 episódios cada e uma terceira já garantida, está classificada como uma comédia, mas não se assuste se no meio dos capítulos algumas (ou muitas) lágrimas escaparem. Aqui temos os Alvarez, uma família cubana-americana composta por uma avó, Lydia (Rita Moreno), uma mãe solteira que serviu no Afeganistão, Penelope (Justina Machado), dois filhos adolescentes, Elena (Isabella Gomez) e Alex (Marcel Ruiz), e dois agregados norte-americanos: Schneider (Todd Grinnell), o dono do prédio em que vivem, e o Dr. Leslie Berkowitz (Stephen Tobolowsky). A produção debate temas atuais e importantes como machismo, racismo, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, porte de arma, homofobia, entre outros.

O roteiro, além de atual, consegue arrancar risadas e lágrimas do público em uma diferença de segundos. Ademais, é capaz de quebrar paradigmas ao retratar uma família latinx, como diria Elena Alvarez, dentro do contexto norte-americano, algo ainda pouco visto na televisão e/ou streaming. Ou seja, não só entrega uma representatividade feminina positiva e LGBTQ+, como também latina. Somando tudo isso, One Day At a Time também produz uma das melhores storylines no ar atualmente e apresenta uma narrativa bem costurada e sem furos dentro da sua realidade.

E é claro que diante a uma excelente história é preciso bom atores para dar vida as palavras no script. A produção não poderia ter escolhido melhor, afinal, é como se o elenco realmente fosse uma família desde o episódio piloto. A química é evidente e a entrega que cada um apresenta em seus personagens é de se admirar. Obviamente é necessário destacar a lenda Rita Moreno, que presenteia o público com uma das personagens mais queridas de toda a série, a melhor abuelita da TV, com sangue cubano fervoroso sempre dando um show de comédia e drama nas cenas que se encontra.

Do outro lado temos Justina Machado dando uma aula de como chorar em cena e protagonizar uma produção seriada. Na série de Kellett e Royce não tem ator ruim, não tem história pouco explorada, o que se tem é uma harmonia singular de elenco que parece ter sido feito para protagonizarem juntos uma narrativa. É impossível não acreditar que Gomez e Ruiz sejam irmãos ou que os agregados interpretados por Grinnell e Tolobowsky não sejam tão parte da família quanto os Alvarez originais. É como uma boa música que sintoniza melodia e letra com perfeição.

Para tornar tudo ainda melhor, a direção faz o trabalho que lhe é proposto, a arte cuida de tornar aquele espaço crível para a família cubana-americana e a trilha sonora é daquelas para ouvir e sair dançando salsa pela casa como se não houvesse amanhã. Contudo, como não só de uma boa música cubana dançante vive o homem (Lydia discordaria de mim, posso ver o olhar de desaprovação), a produção também conta com boas canções para fazer rir e chorar.

One Day At a Time é o tipo de série de comédia que o mundo precisa no momento. Aquece o coração, propõe debates sobre as situações acontecendo na atualidade, faz rir, chorar, mostra que família é um dos bens mais preciosos que se pode ter e caso você não tenha uma biológica, não quer dizer que não tenha uma por afinidade. A produção da Netflix, definitivamente, marcará uma geração e muitas outras ainda por vir.



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