Crítica | ‘Os Estranhos: Capítulo Final’ repete erros e encerra uma das PIORES trilogias da história


Depois de dois filmes que desagradaram tanto os críticos quanto o público, a franquia ‘Os Estranhos‘ retorna para o capítulo final de sua trilogia. Esta conclusão até tenta surpreender, mas não se arrisca o suficiente para apagar a péssima impressão desta investida como um todo. Apesar do esforço em regravar cenas com base nas críticas recebidas pelo primeiro capítulo, qualquer tentativa de aprimoramento já estava fadada ao fracasso – especialmente quando os envolvidos demonstram não compreender o que tornou o longa original tão especial. Mantendo-se consistente até o fim, ‘Os Estranhos‘ entra para a história como uma das piores trilogias de todos os tempos.

Depois de sobreviver a uma invasão domiciliar, uma perseguição no hospital, um ataque de porco selvagem e à própria mãe natureza, Maya (Madelaine Petsch) retorna para um último confronto contra os assassinos mascarados que já não são mais tão estranhos assim. Ela só precisou de dois filmes inteiros para descobrir seu potencial homicida, mas agora o líder dos Estranhos está solteiro e a sede de sangue dela promete despertar um interesse renovado nele.

Apesar de ter contado com dois filmes para introduzir e desenvolver sua narrativa, a direção deste terceiro capítulo parece abrupta. O roteiro até tenta inserir novos elementos na saga de sobrevivência de sua protagonista, mas é possível apontar com precisão quais cenas foram adicionadas após as regravações.

Talvez a parte mais espantosa seja perceber que, em mais de quatro horas de duração, o roteiro desconexo falha em criar um desenvolvimento convincente. Este terceiro filme tropeça entre tentar explicar o que ninguém perguntou e em amarrar as migalhas narrativas plantadas no decorrer dos capítulos anteriores, mas falha em absolutamente todos os aspectos. Enquanto personagens que deveriam ser importantes são descartados sem o menor impacto, a sobrevivente Maya se arrasta em direção a uma conclusão previsível, sustentada por uma evolução forçada.

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De todas as franquias de terror que mereciam ganhar uma trilogia, ‘Os Estranhos‘ certamente não é uma delas. Não há história suficiente para sustentar uma narrativa contínua ao longo de três filmes, e as poucas tentativas de desenvolvimento consistem em revelações irrelevantes que empobrecem a premissa prometida pelo próprio título: Os assassinos são ESTRANHOS. Ao desmistificar cada detalhe em torno de suas identidades, o roteiro cria antagonistas genéricos que poderiam existir em qualquer outra produção do gênero.

E o veterano Renny Harlin, que já comandou filmes divertidos como ‘A Ilha da Garganta Cortada‘, ‘Do Fundo do Mar‘ e ‘O Pacto‘, parece tão entediado quanto o público e entrega uma direção morna, sem qualquer inspiração. Em meio a ideias mal aproveitadas e oportunidades perdidas, é quase possível imaginar o que esta trilogia poderia ter se tornado se tivesse sido concebida como um único filme. Mais do que ruim, porém, este projeto não apenas mancha o legado de seus antagonistas, como também elimina qualquer traço de identidade ao remover suas máscaras – um típico erro hollywoodiano do qual nenhum estranho conseguiria escapar.

Nefferson Taveira
Nefferson Taveira
Formado em Letras - Português/Literaturas pela UFRJ, apaixonado por cinema e obcecado por filmes de terror.

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