Crítica | Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan – Proposta moderna e ambiciosa do clássico literário

Adaptadas para o cinema e a televisão inúmeras vezes, as histórias dos Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas (datadas entre 1844 e 1850) — tal como as tragédias de Shakespeare —, nunca perdem o seu poder de encantar plateias por meio da ambientação heroica de cavaleiros de capas e espadas. Com um elenco de estrelas europeias, Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan é uma das mais ambiciosas produções francesas em anos. 

Através do bordão: “Um por todos e todos por um”, Os Três Mosqueteiros já fazem parte do imaginário social coletivo, mesmo se algumas pessoas desconhecem a origem do grito de batalha. Após dezenas de versões, Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan apresenta frescor e cenas de combate de tirar o fôlego. Com direção do — até então — insípido Martin Bourboulon, o longa possui um plano sequência majestoso de luta na floresta, digno das produções de super-heróis hollywoodianas. 

A comparação vem a calhar exatamente porque este é o objetivo da megaprodução orçada em 36 milhões de euros. Produzido pela Pathé Films, o longa conta com humor e um elenco eficaz, com Vincent Cassel (Cisne Negro), François Civil (Amor à Segunda Vista), Romain Duris (A Espuma dos Dias), Pio Marmaï (O Acontecimento) e Louis Garrel (Adoráveis Mulheres), além das atrizes Eva Green (A Jornada) e Vicky Krieps (Tempo). 

Conhecido pelas comédias de divórcio Relacionamento à Francesa 1 e 2 (2015, 2016) e, recentemente, a cinebiografia decepcionante de Gustave Eiffel, em Eiffel (2021), Martin Bourboulon tem nas mãos a chance de mudar sua carreira. O diretor começa sua narrativa de modo perspicaz e audaz com sequências dinâmicas, mas perde substância longe das cenas de lutas. Sem espadas e tiros, o enredo decai em citações diretas do romance pouco conectadas com a atmosfera moderna e vigorosa pretendida.  

O percurso da chegada do jovem D’Artagnan (François Civil) a Paris no início do século XVII — para servir na guarda de mosqueteiros do rei Luís XIII (Louis Garrel) — é de uma agilidade e graça ímpar. Os “encontros” com seus adversários [e futuros camaradas] Aramis (Romain Duris), Porthos (Pio Marmaï) e Athos (Vincent Cassel) adicionam um tom cômico entre os duelos, tal como — mais uma vez — os roteiros da Marvel

Com a sequência Os Três Mosqueteiros: Milady prevista para dezembro deste ano, esta primeira aventura é uma apresentação dos personagens para o enredo subsequente e, apesar do desfecho, deixa lacunas para a segunda parte. No filme, Luís XIII — sem saber lidar com o trono herdado — é manipulado por seu primeiro ministro, o Cardinal de Richelieu (Eric Ruf), o qual ao lado da misteriosa Milady de Winter (Eva Green) arma um plano para conflagrar uma guerra entre os católicos franceses e os protestantes britânicos por via do amor impossível entre a rainha Ana da Áustria (Vicky Krieps) e Duque de Buckingham (Jacob Fortune-Lloyd). 

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Como prova de devoção à majestade e, principalmente, ao pedido da sua amada Constance Bonacieux (Lyna Khoudri), D’Artagnan atravessa o Canal da Mancha para reencontrar a joia da rainha dada ao amante e defender sua honra. Com uma mistura de intrigas, paixões e combates, Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan é uma obra visada ao divertimento, contudo os minutos iniciais são muito mais impactantes que o resto do enredo. O filme sofre, portanto, uma queda na narrativa por não aprofundar nem seus temas políticos, nem o relacionamento entre os quatro mosqueteiros. 

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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