São quase 30 anos tentando matar Sidney. Mesmo para um serial killer, esse tipo de obsessão acaba consumindo uma vida quase inteira, num jogo em que se o objetivo com alcançado, o assassino perde o objetivo de vida. Mal comparando, é como quando a gente quer muito alguma coisa e, quando consegue, perde o encanto pela coisa. No caso dos filmes, essa obsessão se transformou em uma franquia (e muito lucrativa), que transformou um único filme de terror adolescente do final dos anos 90 na franquia ‘Pânico‘, que volta hoje aos cinemas em sua sétima parte, de nome ‘Pânico 7‘.

Depois de anos sobrevivendo em Woodsboro, Sidney Prescott (Neve Campbell) hoje mora em outra cidade, fora de Nova York, com seu marido, Mark (Joel McHale), e sua filha, Tatum (Isabel May), e onde gerencia uma cafeteria. Apesar de tentar seguir a vida normalmente, os inúmeros traumas de seu passado a impedem de conseguir ter um bom relacionamento com sua filha, que justamente lhe faz perguntas sobre esse período, às quais Sidney não se sente confortável em responder. Porém, quando uma pessoa desse passado retorna à sua vida, e novos assassinatos passam a acontecer na pequena cidade onde vive, Sidney entende que, uma vez mais, precisará lutar pela própria vida e proteger aqueles a quem ama.
Com quase duas horas de duração (um pouco longo para um filme-pipoca) e nenhum pós-créditos, ‘Pânico 7’ flutua numa irregularidade que, com o tempo de projeção, vai ficando nítido para o espectador. O longa é dividido em dois núcleos bem evidentes: a galera do passado de Sidney e a turminha nova da filha, Tatum. O que se observa é que toda a trama desenvolvida pelo “núcleo adulto” corre de maneira mais sólida, com boas atuações não só da protagonista, como também de Courtney Cox e outros desse tempo que reaparecem na história, mostrando a afinidade que têm com a franquia e com tudo que já passaram juntos. Nesse núcleo, os acontecimentos são lógicos, os diálogos são interessantes e as atuações, convincentes.

Mas quando o roteiro de Kevin Williamson, Guy Busick e James Vanderbilt gira o foco para os jovens, a coisa desanda ao ponto de parecer ter sido escrito por outra equipe. Os personagens adolescentes são mal desenvolvidos, tem diálogos bobos, cenas incoerentes e ações vazias. Nem mesmo nomes mais reconhecidos, como Mckenna Grace seguram a onda, dando a sensação de estar se explicando o tempo todo, como se o público não fosse capaz de entender o que está acontecendo. Aqui o enredo lembra não só o plot da série ‘Pânico’, mas até mesmo de outros retornos de outras franquias, como ‘Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado’, de 2025.
O que nos faz pensar que Kevin Williamson dedicou mais em segurar o hype da nostalgia, com elementos e personagens do passado, do que efetivamente construir uma ponte sólida para uma possível passagem de bastão (que parece ser o objetivo desse filme). Aliás, sobre essa passagem, as frases de efeito são tão clichês e forçadas, que cansam.

Mas, por ser um filme de terror, precisamos focar no que realmente importa: as mortes. E elas são muitas, criativas e bem-feitas. O slasher aqui entrega suco de entretenimento (com o perdão do trocadilho), com mortes que podem tanto causar repulsa quanto despertar a gargalhada. Independente da identidade do Ghostface, ele continua matando, e matando de maneira sádica e hilária. ‘Pânico 7’ tem um bocado de jump scare e sangue espirrando desde a primeira cena.
Ainda que com altos e baixos nas tramas, ‘Pânico 7’ entrega bom entretenimento para os fãs de terror, tanto os de antigamente quando das novas gerações. E, ao que tudo indica, o Ghostface vai continuar aparecendo, afinal, a passagem de bastão nessa franquia acontece em todos os núcleos.




