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Crítica | ‘Premonição 6: Laços de Sangue’ REVITALIZA a icônica franquia slasher da melhor maneira possível


A franquia Premonição atingiu um considerável status de clássico cult após duas décadas e meia de sua estreia oficial no circuito cinematográfico: tendo início nos anos 2000, a saga de terror conquistou o público ao redor do mundo – ainda que tenha sido recebida com olhares desdenhosos pela crítica especializada – por apresentar uma perspectiva inédita ao gênero slasher a partir de um roteiro especulativo que foi descartado da icônica série ‘Arquivo X’ e que se transformou em uma série de longas-metragens que estende suas ramificações até hoje.

Para aqueles não familiarizados, o primeiro filme, bem como os quatro subsequentes, é pautado em uma premissa bastante interessante e que reorganiza os tropos do gênero sob uma ótica diferenciada, em que um indivíduo é atormentado por uma trágica premonição e impede que um determinado número de pessoas seja vítima do ocorrido, aparentemente salvando-os. Porém, pouco depois desse aparente milagre, cada um dos sobreviventes é caçado por uma força invisível que dá início a uma complicada cadeia de ações que resulta em suas respectivas mortes – e cabe a eles tentar colocar um fim nesse ciclo inquebrável que coloca uma entidade intangível e implacável como principal antagonista.



Catorze anos depois do que acreditávamos ser o fim da saga, chegou a hora de retornarmos a esse sangrento universo com um ambicioso sexto capítulo que será lançado nos cinemas neste próximo dia 15 de maio. Intitulado Premonição 6: Laços de Sangue’, o filme parte da mesma premissa que as iterações predecessoras, mas aposta fichas em elementos inéditos que, logo de cara, nos chamam a atenção. Nessa nova narrativa, a jovem Stefani Reyes (Kaitlyn Santa Juana) é assombrada por poderosas visões que atrapalham seu dia a dia e a colocam em xeque com tudo o que conhece – principalmente quando descobre que esse aparente “sonho acordado” é reminiscência de uma premonição que sua avó, Iris Campbell (Gabrielle Rose), teve nos anos 1960, compelindo-a a salvar dezenas de pessoas de um colapso inimaginável de um restaurante no topo de um arranha-céu recém-inaugurado.

Conhecendo a trama dos filmes anteriores, sabemos que a Morte não gosta de ser enganada – e tem planos para corrigir os “erros” criados por esses salvadores. E, considerando que Iris salvou muitas pessoas naquele fatídico dia, essa entidade cosmológica passou décadas aparando as pontas soltas e perseguindo até mesmo filhos e netos que não deveriam existir. Após visitar a avó, Stefani percebe que precisa fazer algo para impedir que cada membro de sua família encontre sua ruína, unindo forças com o irmão mais novo, Charlie (Teo Briones) e com a afastada mãe, Darlene (Rya Kihlstedt), para descobrir uma maneira de evitar o inevitável.

Os diretores Zach Lipovsky e Adam Stein mantêm-se fiéis à identidade artística explorada nos outros filmes, mas fazem questão de mostrar que, agora, as expectativas se desmantelam por se tratar de um núcleo de personagens bastante intrínseco e que faz jus ao subtítulo do longa. Em outras palavras, as possibilidades são inúmeras e permitem que os cineastas mostrem que essa infame franquia ainda tem histórias para contar – por mais que a estrutura permaneça a mesma. Dessa maneira, Guy Busick e Lori Evans Taylor, emprestando suas mãos para o roteiro do longa, trazem subtramas e backstories interessantes que se afastam dos estereótipos imortalizados ao longo da saga, visto que é muito mais fácil explorar aspectos a mais, como relações conturbadas entre mãe e filha, além de traumas geracionais que não foram resolvidos.

É claro que, considerando a disposição de recursos da franquia, não há muito para onde correr – motivo pelo qual os convencionalismos existem aos montes em cada uma das sequências. Todavia, enquanto os clichês são indeléveis à obra, é sempre possível inovar sem dar um passo maior que a perna e sem esbarrar no pedantismo de uma ambição desmedida: assim, Lipovsky e Stein constroem as conhecidas sequências aos moldes das máquinas de Rube Goldberg que premeditam as chocantes e impiedosas mortes – seja em virtude de uma máquina de ressonância magnética, dentro de um caminhão de lixo ou como vítimas adjacentes de um acidente de trem. De fato, é previsível imaginar de que maneira a narrativa chegará ao fim, mas a boa dose de humor e a sólida identidade do filme são o bastante para nos divertir.

É notável como o elenco se diverte nessa “farofada” do terror – desde as ótimas performances dos atores já mencionados, passando pela presença bem-vinda de Richard Harmon e Owen Patrick Joyner, e culminando no saudoso Tony Todd, que despede-se de maneira metalinguística e quase elegíaca ao retornar como o icônico William Bludworth (o recorrente personagem que todos acreditávamos ser a Morte, em si, e que ganha seu merecido finale em uma reviravolta interessante e bem construída). Equilibrando com sucesso terror, comédia e um pouco de melodrama familiar, os atores e atrizes se mostram em sintonia assertiva que fornece ritmo e dinamismo ao enredo.

Premonição 6: Laços de Sangue’ é um dos melhores capítulos da franquia por saber exatamente de que franquia faz parte, desenrolando-se de maneira despojada e que não apenas celebra um legado de décadas, como honra a memória afetiva de fãs inveterados e convida uma nova geração a se deliciar com esse expansivo universo.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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