Crítica | Rampage: Destruição Total – Mais Monstros Gigantes

Crítica | Rampage: Destruição Total – Mais Monstros Gigantes

Nota:

King Kong encontra Godzilla

A era mais frutífera para monstros no cinema foi a década de 1950 – o boom da ficção científica. Tudo bem que desde a década de 1930, verdadeiras estrelas no quesito, vide Drácula, Frankenstein e o Lobisomem faziam esse gênero de filme B arrastar multidões aos cinemas para sua cota de sustos e medo. Mas inúmeros outros fatores trazidos pela época, vide a Guerra Fria e o pavor da era atômica, acrescentavam ao renegado tipo de produção, dando-lhe a força de inúmeras obras massificadas com o mote dos “estranhos invasores”, vindos do espaço, do fundo do mar ou de outras dimensões.

Assim, o subgênero foi passando pelas décadas e evoluindo, até chegar na atualidade, nesta época do mais e maior. O cinema fantástico de monstros gigantes chegava finalmente ao mainstream com Jurassic Park (1993) – e que popularidade, não existindo algo muito maior do que o filme. Inúmeras produções seguiram na esteira, e os monstros – agora confeccionados através de efeitos de computador, o que permite um realismo e credibilidade maiores – se tornaram sensação e alguns dos maiores astros da Hollywood atual.

Só este ano, tivemos Círculo de Fogo: A Revolta e Um Lugar Silencioso (ambos ainda em cartaz nos cinemas) – utilizando o tema para desenvolver obras bem diferentes – Aniquilação (lançamento da Netflix) e em breve poderemos conferir o novo exemplar de Jurassic World.  Ou seja, o que não falta são monstros de todas as formas e tamanhos para os aficionados. Rampage: Destruição Total é o mais recente lançamento, que aporta neste fim de semana nas salas de cinema do país. Além de ser um filme de monstros gigantes, Rampage recai em dois outros quesitos cinematográficos: é baseado num vídeo game icônico (datando da década de 1980) e também é o novo veículo de ação, recheado de adrenalina, de Dwayne ‘The Rock’ Johnson – futuro candidato à presidência dos EUA (é sério!).




Na trama, tanto do game quanto do filme, três criaturas animalescas e monstruosas causam caos e pânico ao exalarem sua fúria (o rampage do título original) numa cidade norte-americana. Prédios são destruídos, pessoas são devoradas e o estado de sítio se instala sem que as autoridades possam fazer muito. Enquanto na versão de bytes os gigantes eram homens em mutação devido a um produto químico em suas comidas (o que explica o formato mais humanoide), no longa as contrapartes de George (o gorila albino), Ralph (o lobo) e Lizzie (o crocodilo) – os dois primeiros chegando a ser mencionados pelos nomes originais também no filme – são animais selvagens transformados em verdadeiros colossos através de um mutagênio criado por uma maligna empresa (e o que mais?).

A cena de abertura é um dos momentos mais interessantes do longa, se passa no espaço e conta com a participação especial de Marley Shelton (Sin City: A Cidade do Pecado). Neste trecho sentimos tintas de terror e muita tensão (talvez mais até do que todo Cloverfield Paradox), com a personagem tentando sobreviver à sua própria criatura – igualmente retirada do game, como um easter egg.

Na Terra, somos apresentados a mais um personagem ultra carismático de Dwayne Johnson, desta vez vivendo um especialista em primatas, que prefere a companhia dos animais à dos seres humanos (sentiram a ironia do foreshadowing vindo aí?). O ex-militar Davis Okoye (Johnson) tem um grande afeto pelo gorila albino George, o qual ajudou a resgatar de caçadores ainda na infância. A interação entre os dois chega ao ponto de emocionar – mesmo sabendo que a criatura é basicamente toda digital – o que apenas enaltece o trabalho de criação dos envolvidos. Através de linguagem de sinais – um fato sabido – os primatas demonstram suas emoções (muitas inclusive bastante similares às humanas) e se comunicam.

The Rock adotou um gorila de verdade através de uma instituição pegando carona na promoção do filme – e tal mensagem ecológica consegue ser encontrada em Rampage se você cavucar lá no fundo. No grosso, no entanto, este continua sendo um filme de monstros gigantes destruindo e brigando. No quesito o filme entrega, apesar de algumas cenas muito escuras no desfecho da grande batalha. Por outro lado, longe dos monstros o que vemos são apenas personagens genéricos numa trama rasa, que não exige muito de gente como a indicada ao Oscar Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar) e Jeffrey Dean Morgan, oscilando entre o embaraço de protagonizar o filme e a mínima tentativa de parecer estarem se divertindo.

Por outro lado, a bela Malin Akerman abraça sua canastrice em potência máxima, parecendo fazer parte do elenco de Paixão Obsessiva (2017), na hora de viver a indefectível vilã mais fria que um cubo de gelo Claire Wyden, a dona da empresa da bio arma, é claro. É daquela vilã caricata que torcemos para um morte horrível, e o filme não desaponta. Rampage é para os filmes de monstros gigantes, o que Terremoto: A Falha de San Andreas (2015) foi para os filmes catástrofe (não por menos o diretor de ambos é o mesmo Brad Peyton), ou seja, uma versão pasteurizada e quase artificial destes produtos, que já em sua época nasciam banalizados pela crítica especializada. E por mais que as coisas mudem, elas continuam as mesmas...





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