As dores e os amores no mundo dos cowboys. Criado pela escritora e produtora April Blair chegou na Netflix um projeto que busca nos seus 10 episódios de sua primeira temporada apresentar os conflitos em relação ao legado e as relações entre pais e filhos que logo viram alicerces para uma história que se desenvolve no estilo ‘novelão’. Cheio de resoluções rasteiras, com pontos de vistas e muitos personagens buscando se interligar para dar margem de desenvolvimento futuro, Ransom Canyon navega pela mesmice de uma fórmula batida.
A base da trama, ambientada numa região montanhosa do Texas, nos mostra Staten Kirkland (Josh Duhamel), um fazendeiro de sucesso que tem um passado recente repleto de perdas e situações trágicas que o deixaram imerso em seu universo de dor e luto. Sua porto seguro é a amizade com Quinn (Minka Kelly), melhor amiga de sua ex-esposa, por quem tem um amor nunca desenvolvido. Quando o seu cunhado, e seu eterno rival, Davis (Eoin Macken), começa a mexer suas peças para conseguir mais poder na região, Staten e outros personagens tem a certeza de uma série de futuros embates calorosos.

Desde o primeiro episódio é possível perceber o tom previsível que se mostra logo nas interações pelos desgastes das interrelações. Ao longo dos nove restantes, nada muda, com subtramas entrando e saindo do foco principal dentro de um roteiro que busca desenvolver a ganância na pegada de heróis e vilões definidos. As linhas tênues da moral – conflitos que sempre ajudam aos pontos reflexivos – não alcançam as trajetórias dos personagens principais deixando o desenrolar se abraçar na obviedade e no romance água com açúcar.

Em falar nesse recheio romântico – que logo se torna uma marca dessa série – há um navegar por um chatíssimo melodrama que logo se mostra como uma vertente de elementos narrativos desenvolvidos de forma rasa e forçada. Entre traições, imaturidade, a paixão não declarada, e o primeiro grande amor, há uma tentativa de buscar as mais diversas reações do público. A grande questão nesse ponto é o raso desenvolvimento desses personagens.

Num primeiro momento, só sabendo a sinopse, é possível comparações com universos de séries aclamadas recentes, como Yellowstone. Mas é só ligar nos primeiros capítulos que essa comparação vai por água abaixo. Partindo do luto e das dores com seu protagonista nada carismático – interpretado por Josh Duhamel – em Ransom Canyon caminhamos por uma espécie de tentativa de um novo faroeste mas com a mesma premissa: o Clube do Bolinha brigando pelo poder.
