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Crítica | RAYE une pop, R&B e soul no vibrante single “Where Is My Husband!”


RAYE, nome artístico de Rachel Agatha Keen, ganhou popularidade imensa após fazer sua grandiosa e oficial estreia no circuito fonográfico com o aclamado My 21st Century Blues. Apresentando ao cenário mainstream regado pelo pop, pelo disco e pelo dance, RAYE escalou a uma fama meteórica por remar contra a maré e apostar em uma identidade ao mesmo tempo clássica e contemporânea, mergulhando nas homenagens aos ícones do jazz, do blues e do soul para construir uma identidade única e que a permitiu roubar os holofotes.

A cantora e compositora britânica, dotada de uma voz irretocável e de referências que variam desde Ella Fitzgerald e Etta James a Lady Gaga e Christina Aguilera, aproximou-se das incursões promovidas por nomes como suas conterrâneas Amy Winehouse e Adele – e o resultado não foi apenas canções irretocáveis como “Escapism.”, “The Thrill Is Gone.” e “Oscar Winning Tears.”, como uma aceitação crítica e comercial expressiva, principalmente em sua terra natal. Não é surpresa que, além dos ótimos números de venda, RAYE tenha feito história no BRIT Awards com uma surpreendente vitória de seis estatuetas – incluindo Compositora do Ano e Álbum do Ano.

E, enquanto a performer ganhou destaque por histórias pungentes e dotadas de uma apaixonante e crítica ironia – fruto de experiências traumáticas que conseguiu transformar em arte e vulnerabilidade líricas -, ela também explorou conceitos mais escapistas e hedonistas, falando sobre sexo, amor e a celebração da vida de maneiras originais e muito instigantes. Agora, RAYE caminha para sua próxima era fonográfica e já nos presenteou com o lead single de seu vindouro segundo álbum de estúdio: “Where Is My Husband!”.



Lançada neste último dia 19 de setembro, a faixa é uma explosiva mixórdia de gêneros construída com minúcia invejável e notável pela artista e pelo seu frequente colaborador Mike Sabath – e já havia sido performada em diversos festivais antes de ser oficializada como single nas plataformas digitais (e acompanhada de um belíssimo videoclipe retrô). E, se ambos os nomes haviam criado mágica em um passado não muito distante, retomam parceria para uma das melhores canções do ano e o início de uma era artística que promete encantar os ouvintes.

Apesar do enredo trazido por RAYE não fugir muito do esperado – discorrendo sobre a busca de um amor que permanecerá pela vida toda -, nada disso importa quando a competente e hábil entrega da vocalista beira a perfeição performática. É notável sua predileção por singrar entre os ícones do jazz e os clássicos vaudevilles franceses que permeiam sua personalidade artística, permitindo que ela crie uma ponte entre seu álbum de estreia e o próximo compilado de originais sem se valer de mesmices ou fórmulas muito repetidas. Em outras palavras, a coesão é um dos elementos que mais fala alto nessa canção – algo que já se tornou característico da cantora.

E isso não é tudo: ao aliar-se com Sabath, RAYE constrói um encontro inesperado entre múltiplas décadas, dosando sabiamente o pop, o soul, o R&B e o funk em uma emulativa construção fonográfica que se transforma em uma carta de amor. Ora, é notável as referências que ela promove não só a si própria, mas a Fitzgerald, Tom Jones, Destiny’s Child, Mis-teeq e, ecoando em notas mais distantes, Hooverphonic. Tudo converge para um vibrante e irruptivo single que nos envolve em uma nostalgia atemporal que reitera a mentalidade genial da performer e de seus colaboradores.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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