Crítica | Ritas – Documentário Reacende a Chama Imortal de Rita Lee


O dia 22 de maio é celebrado, na religião católica, como o dia de Santa Rita de Cássia, a padroeira das causas impossíveis e protetora das viúvas. E, desde 2024, a data é também conhecida como o Dia de Rita Lee, marco aprovado pela Câmara dos Deputados de São Paulo em homenagem à cantora brasileira. O motivo? Bom, é que Rita Lee, em sua última entrevista, comentou que, apesar de ser capricorniana, gostaria de transferir seu aniversário para o dia 22 de maio, que é dia de Santa Rita. Porque assim era a cantora, inusitada, irreverente. Razão pela qual, em respeito a seu desejo, no próximo dia 22 de maio estreia nos cinemas brasileiros o longa documental ‘Ritas’, após sessões aplaudidíssimas no Festival É Tudo Verdade.

O documentário, com quase noventa minutos, é um presente aos fãs saudosos mas é também um importante veículo para as pessoas que não conhecem ou pouco conheceram a cantora paulista. Com muito esmero, a pesquisa de Antônio Venâncio e Eloá Chouzal mergulha no acervo deixado por Rita com um vasto material tanto de carreira quanto de vida pessoal, com direito a fotos, reportagens, revistas e entrevistas que, muitas vezes, a própria Rita comentava ao se rever estampada. A variedade e a qualidade do material apresentado do filme impressionam.

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O roteiro tecido por Fernando Fraiha, Karen Harley e Oswaldo Santana costura muito bem passado e presente, partindo de trechos da última entrevista e as últimas imagens registradas pela própria cantora em videochamadas (aquelas chamadas de gente andando, câmera tremendo, que é como o filme começa). Então, Rita perpassa seu álbum de fotos, criticando as roupinhas de sua infância e observando sua própria família. Mas o filme não se demora aí, afinal, a própria homenageada dá a entender que o que importa conhecer sobre si é sua trajetória musical, iniciada ainda jovem tocando violão.

É no recheio de ‘Ritas’ que reside o tempero da biografada. Enquanto acompanhamos Rita Lee em diversas entrevistas, o espectador é conduzido a acompanhar a formação de caráter da jovem cantora, expulsa dos Mutantes tão somente por ser mulher (palavras dela) e que fez desse baque o combustível de sua carreira solo. Importante dizer que o filme não se furta em dar a devida importância que a dupla Gilberto Gil e Caetano Veloso teve não só na formação musical da jovem, mas, principalmente, apoiando sua carreira para que ela conseguisse voar solo.

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Bem relacionada, Rita fez diversos amigos na cena cultural brasileira, que a chamaram para trabalhos e divulgaram suas músicas, como Marília Gabriela, Hebe Camargo, Elis Regina e Betânia, mesmo durante os duros tempos da ditadura. Nestes tempos, a personalidade forte e debochada de Rita Lee virou um artigo explosivo, mas que conseguiu atravessar esse período das trevas ainda que com algumas músicas censuradas e uma prisão.

Já na reta final de ‘Ritas’, chegamos ao momento mais sereno da vida da biografada, comentado pela própria após conhecer o amor com Roberto de Carvalho, tecladista de sua banda que se tornaria seu marido e pai de seus três filhos. Aqui os diretores Oswaldo Santana e Karen Harley fizeram questão de jogar luz sobre essa história de amor, desde seu início, realçando o bem que fazia à Rita.

Do raio de sol que foi, Rita Lee agora se expande no universo post-mortem e, através do documentárioRitas’, sua essência fica eternizada para as atuais e próximas gerações. Um filme apaixonado e irreverente como a própria Rita Lee.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.