Tem alguns artistas cujo nome, quando aparece nos créditos, já nos faz correr para conferir. Luis Tosar é um desses. Ele é o protagonista da nova série da Netflix, Salvador.
Esse projeto expõe muitas formas de violência, apresentando a perspectiva desesperada de um pai após uma tragédia. Ao longo dos intensos episódios – angustiantes em muitos momentos – a obra propõe provocações sociais capazes de balançar nossas reflexões.

Com um episódio piloto explosivo, que posiciona a narrativa em uma trama principal e outras correntes em forma de subtramas que vão se juntando, a série criada pelo roteirista espanhol Aitor Gabilondo, provoca o público ao atravessar, de forma profunda, a intimidade de grupos extremistas e o declínio da segurança pública, ampliando debates sobre discriminações, os passos ao ódio e as fake News.

Salvador (Luis Tosar) é um motorista de ambulância tentando recomeçar a vida após o passado cheio de erros. Ex-alcoolatra, ex-apostador, ex-médico, ele é pai de Milena (Candela Arestegui), uma jovem que se junta a um grupo neonazista chamado White Souls, formado por membros inseridos na sociedade. Quando uma tragédia acontece, Salvador vai atrás de verdades dolorosas que colidem com o caos social provocado por ideologias extremistas.

A munição ideológica e as hipocrisias sociais enraizadas – também na alta sociedade – são os elementos de alicerce dessa trama que dialoga com assuntos que contornam a atualidade. A partir de marginais racistas que se camuflam como torcedores de um famoso time de futebol, vamos acompanhando situações inacreditáveis, totalmente provocadas por quem rejeita o diálogo democrático e avança nos discursos de intolerância.

Essa série se mostra interessante em termos narrativos, pois consegue ampliar seu contexto através também das ações paramédicas – em um ritmo encontrado em E.R e outras produções do gênero –, aproveitando todas as características vindas do desenvolvimento dos personagens, sem esquecer de atingir sua trama central.

Um soco no estômago em muitos momentos, Salvador nos conduz por questões existenciais complexas, como a ética na profissão e até mesmo em jornadas de redenção – amplamente amparadas pelas consequências dos próprios atos. Ao longo de seus oito episódios, se consolida como uma das produções mais potentes e reflexivas séries deste primeiro semestre.



