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Crítica | ‘#SalveRosa’ – Um grito de socorro que pode abrir os olhos de muitas pessoas! [Festival do Rio 2025]


Uma mãe cruel, controladora e egoísta que expõe sua filha na internet. É a partir dessa premissa – atravessando os muitos olhares sobre uma trágica relação familiar – que o novo trabalho da ótima cineasta Susanna Lira apresenta, de forma reta e contundente, um assunto que vem ganhando cada vez mais atenção na sociedade contemporânea: a exposição infantil nas redes sociais. #SalveRosa é um grito de socorro que pode abrir os olhos de muitas pessoas.

Aos 13 anos, Rosa (Klara Castanho) é uma jovem introspectiva que virou uma celebridade na internet com um canal que reúne milhões de assinantes. Ela vive sob o olhar atento da mãe (Karine Teles), uma mulher controladora, enigmática e que esconde segredos. Nessa relação, que vai se mostrando cada vez mais conflituosa, acompanhamos os desenrolares desse chocante retrato quando Rosa começa a descobrir verdades da sua própria história.



O tom colorido do projeto – com cores pulsantes, fruto de uma direção de arte que dialoga com o campo emocional a todo instante -, ajuda a potencializar as camadas emocionais dos personagens. Sob alguns pontos de vistas – fato que ajuda a narrativa a ganhar ritmo conduzindo à tensão – acompanhamos as ações e consequências quando um castelo de cartas macabro começa a desmoronar. De dentro pra fora – do íntimo familiar até os olhares de terceiro –, o roteiro busca os conflitos dentro de uma estrutural tradicional: sem se arriscar mas conseguindo evidenciar o impacto do chocar.

Uma vilã clássica – daquelas de despertar o ódio, debochada e atrevida – dita o ritmo em muitos momentos, mais uma atuação competente da atriz Karine Teles. A partir dessa figura emblemática na história que é contada, o projeto foca em trazer para debate o caótico retrato da inconsequência da exposição. À medida que a tecnologia é inserida de forma desenfreada através dos meios de comunicação que surgem a toda hora, a obsessão pela fama e sucesso coloca a moral escanteada. Um dos méritos desse filme é justamente lançar luz sobre essa questão.

Prendendo a atenção em muitos momentos, o drama logo vira um suspense, com uma imprevisibilidade em seu final. #SalveRosa cumpre o que promete: vai das relações tóxicas – que acontecem em muito lares – até as camadas da exposição em mundo cheio de perigos, distantes ou próximos de cada um de nós.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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