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Crítica | Samurai X: O Final – Filme encerra de maneira épica a trajetória de Kenshin Himura


No ano de 2001 a editora JBC começou a trazer para o Brasil o mangáSamurai X’, que contava a história de um espadachim andarilho de nome Kenshin Himura cujo passado era sombrio e desconhecido. Lançado no Japão originalmente em 28 volumes, na primeira publicação no Brasil foram 56 volumes, até sua conclusão, em 2003. De lá para cá, o número de fãs de Himura só fez aumentar, ao ponto de a produtora Warner Bros lançar o primeiro live-action inspirado na história criada por Nobuhiro Watsuki, cujo último capítulo chega agora, vinte anos após o início de sua trajetória em território brasileiro, à Netflix, intitulado ‘Samurai X: O Final’.

Em 1878, durante a Era Meiji, Kenshin Himura (Takeru Satoh) aposentou sua espada e tenta viver sua vida tranquilamente no dojo da Srta. Kaoru (Emi Takei), onde convive com seu amigo Sanosuke (Munetaka Aoki) e o jovem Yahiko (Riku Ohnishi). Porém, quando a paz de Kyoto é ameaçada por ataques, explosões e incêndios, colocando a vida dos civis em perigo, Kenshin entende que o motivo por traz de tudo é ele mesmo, e, por isso, percebe que deve ir atrás do responsável pelos ataques para impedir a destruição da cidade, mesmo que para isso tenha que mexer em memórias dolorosas do seu passado.



Quando os cinemas começaram a reabrir mundo afora, em 2020, ‘Samurai X: O Final’ foi um dos longas que estrearam nas salas do Japão, dada a sua importância para a história e a cultura local. Apesar das incertezas da distribuição nacional, é com grata felicidade que os fãs de Samurai X recebem a parte final da jornada do andarilho diretamente na Netflix – o que facilitou o acesso para muito fã. Não à toa, o longa figura entre os mais vistos da plataforma há semanas.

O elemento mais importante do filme de Keishi Ohtomo é que ele foca no que é realmente a essência do mangá: a trajetória do embate entre Himura e seu antagonista. Isso significa que embora o longa entregue as pinceladas de romance de Kenshin e Kaoru e eleve a carga dramática nos momentos-chave do enredo, todos os elementos são elencados na direção da construção dos conflitos e sua resolução. Daí talvez o filme ter dois ritmos distintos: por um lado, cenas de luta extremamente ágeis e muitíssimo bem coreografadas, de uma beleza ímpar característica das produções épicas daquele país; por outro, as cenas de narração e diálogo são monotônica, intercaladas por flashbacks do filme anterior.

Samurai X: O Final’ é um belíssimo filme que faz jus à dramática história do andarilho cuja cicatriz em forma de X no rosto afugenta os malfeitores. Poeticamente dirigido, o longa encerra de maneira épica a história de um dos mangás mais conhecidos do mundo, sem nunca perder sua essência japonesa ainda que estivesse levando em consideração o público ocidental. Para os fãs, é um filme essencial, que encontra espaço para inserir todos os personagens queridos pelo público, sem deixar a expectativa cair; para quem não conhece a história, fica a dica de assistir a ‘Samurai X: A Origem’ antes deste, para melhor entender porque esse se tornou uma das histórias de Japão Feudal mais lidas do mundo.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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