Crítica | Santa Clarita Diet - Terceira Temporada está melhor do que nunca

Crítica | Santa Clarita Diet - Terceira Temporada está melhor do que nunca

Nota:

A série mais deliciosa de todas retornou para sua terceira temporada. Criada por Victor Fresco (Louco por Você), Santa Clarita Diet conta a história de Sheila Hammond (Drew Barrymore), uma corretora que saiu para jantar, morreu e retornou à vida como uma morta-viva (não usamos a palavra zumbi por aqui, pois acreditamos que tenha um tom intolerante na mesma). Sei que vocês estão cansados de saber disso, portanto, vamos falar logo desta terceira etapa.

Após encerrar com um cliffhanger de deixar qualquer espectador curioso para saber o que vinha a seguir, a criação de Fresco retornou respondendo muitas das perguntas que foram deixadas no ar durante o ano anterior. Como um verdadeiro filme que segue sendo exibido por três anos, a produção voltou exatamente do momento em que parou, sem passagem de tempo, para contar mais das desventuras dos Hammond. O roteiro de Santa Clarita Diet segue sendo uma das melhores coisas e sempre respeitando a coerência dos fatos. A série mantém a essência que a torna tão espetacular e cresce, cada vez mais, ao dar mais espaço para seus co-protagonistas.

Nesta temporada, Sheila, Joel (Timothy Olyphant), Abby (Liv Hewson) e Eric (Skyler Gisondo) precisaram encarar diversas situações diferentes que beiram o perigo e quase morte. Como sempre, a dramaturgia se desenvolve bem e traz momentos surreais e/ou fora da realidade normal de um ser humano para ser a solução das adversidades mostradas. É gostoso se deixar acreditar no universo de Santa Clarita.

Se você achava que Barrymore e Olyphant tinham química antes, a terceira temporada é a prova viva de que esses dois são uma verdadeira combustão. Todas as cenas em que ambos se encontram dá gosto de assistir. As atuações parecem se tornar ainda mais íntimas e ambos juntamente a Liv Hewson e Skyler Gisondo parecem ser uma verdadeira família. Ademais, é como se cada situação intensa que acontece a esses personagens só os aproximam ainda mais.

Diante de todos os problemas que poderiam ter, lidar com a possível morte foi recorrente durante essa etapa. Sheila e Joel - ou deveria dizer Joelle? - estiverem diante do perigo por incontáveis vezes e disso surgiram amizades inesperadas. Entre Cavaleiros da Sérvia, mortos-vivos descontrolados, uma espécie de cientista sérvio querendo extrair o “sangue” dos undead e debates contínuos sobre aceitar ou não viver eternamente, o casal protagonista triunfou tanto em quesitos do trabalho dos atores quanto em estarem juntos.

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Por outro lado, a trama aproveitou para desenvolver ainda mais Abby, exibir as camadas e raízes dela. Se antes ela já era uma verdadeira badass, agora está mais empoderada que nunca. Santa Clarita Diet utiliza e muito bem, diga-se de passagem, o humor impróprio e ácido para tratar assuntos debatidos em nossa sociedade atual. As discussões promovidas sobre machismo, neonazismo, empoderamento feminino, intolerância ao desconhecido, entre outros, são questões que a produção não hesita em colocar em pauta utilizando a metáfora dos mortos-vivos.

Voltando aos personagens, é preciso destacar algumas participações: Radul (Dominic Burgess) e Janko (Stephen Full), os dois capangas do cientista sérvio que foram primordiais em arrancar risadas do público nas poucas cenas que apareceram, Tommy (Ethan Suplee), o ex-Cavaleiro da Sérvia favorito dos protagonistas. Ron (Jonathan Slavin), que apesar de todas as suas furadas, no final, foi bem útil. E por fim, mas não menos importante, Jean (Linda Lavin), a idosa que mal você conheceu e já deseja que esteja em todas as temporadas.

Por fim, é necessário admitir que toda sua produção técnica segue com a mesma qualidade anterior e a arte até se superou na criação dos membros humanos decepados e sendo devorados – chega a causar um nojo real em alguns momentos. A direção segue o padrão que adotou desde a primeira temporada, assim como a trilha sonora. É um equilíbrio exemplar de todos os quesitos necessários para compor uma boa sitcom.

Se o espectador acreditava que Santa Clarita Diet não poderia superar as bizarrices e excepcionalidade trazidas na segunda temporada, a terceira veio para provar que todo dia é um novo dia para se tornar ainda melhor e entregar uma trama que só trilha um caminho de sucesso.

PS.: Eu também estou me corroendo por dentro para saber como funciona, realmente, o Mr. Ball Legs.


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