Crítica | Sem Conexão – Slasher Polonês da Netflix Mistura ‘Scooby-Doo’ com ‘Sexta-Feira 13’


Um grupo de adolescentes é enviado pelos pais para participar de um acampamento detox de verão, pois cada um deles tem sérios problemas de vício com dispositivos eletrônicos e internet. É assim que Zosia (Julia Wieniawa-Narkiewicz), Julek (Michal Lupa), Aniela (Wiktoria Gasiewska), Bartek (Stanislaw Cywka) e Daniel (Sebastian Dela) acabam se conhecendo e ficando sob a supervisão da inspetora Iza (Gabriela Muskala). Porém, na primeira noite do acampamento, após uma caminhada pela floresta, uma criatura bizarra acaba aparecendo, ameaçando a vida de todos eles. Sem nenhum celular, como eles conseguirão pedir ajuda?

Com um orçamento baixinho, o roteiro de Mirella Zaradkiewicz, Jan Kwiecinski e Bartosz M. Kowalski flana entre o amadorismo e o excesso de reverência. Ao mesmo tempo em que busca prestar homenagem a clássicos do terror – como ‘Um Lobisomem Americano em Londres’, mencionado abertamente pelo personagem Julek – o excesso de vezes com que deixa evidente suas referências acaba cansando o espectador. Também não passa despercebido a estrutura do grupo de adolescentes, que repete a mesma fórmula de ‘Scooby-Doo’: cinco personagens com personalidades distintas (o atleta, a bonitona, a inteligente, o comilão e o falador), em uma floresta assombrada tentando desvendar um mistério que não esperavam encontrar.

Só que em ‘Sem Conexão’ nenhum desses argumentos convence cem por cento o espectador. Nem mesmo quando Julek repete tantas vezes que Zosia o fazia lembrar a Sarah Connor de ‘O Exterminador do Futuro’… pra quê? Concretamente, essa informação – assim como muitas outras – não são utilizadas no longa, e, portanto, ficam flutuando no enredo sem objetivo claro. Esse é apenas um dos aspectos problemáticos do roteiro, que ainda encontra uma justificativa bem fracote para explicar porquê que o monstrengo ameaçador não só é um monstrengo, mas porquê ele ameaça.

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Tudo isso poderia ser deixado de lado porque, afinal, um fã de terror tá em busca de sangue. Embora haja algumas cenas de violência brutal (suficientes para enquadrar o longa como para maiores de 18 anos), a maioria não é explícita, o que pode acabar frustrando o espectador; outras são tão rápidas, que passam a sensação de terem sido mal desenvolvidas; por fim, as cenas slasher que de fato funcionam não salvam o filme.

O que mais ou menos agrada no filme é a locação – uma floresta na Polônia, o que é bem legal – e o monstrengo em si, inspirado no Jason de ‘Sexta-Feira 13’, embora sua razão de existir seja bem duvidosa. ‘Sem Conexão’ presunçosamente deixa brecha para uma continuação, por isso, em tempos de top 10 na Netflix, é bem capaz que daqui a um tempo os assinantes sejam surpreendidos com uma continuação a partir do final do longa. Em suma, ‘Sem Conexão’ dá mais tédio do que medo, mas, para os fãs do gênero, é uma nova opção disponível na plataforma.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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