InícioCríticas#Crítica | #SemSaída – SURPREENDENTE terror estilo ‘Jogos Mortais’

Crítica | #SemSaída – SURPREENDENTE terror estilo ‘Jogos Mortais’


Tem gente que curte um romance meloso recheado de clichês, e tem gente que, por exemplo, se amarra em ver filmes de terror sádico nos quais os personagens sofrem todo tipo de tortura lutando pela própria vida. Esse tipo de filme ganhou muito público com a franquia ‘Jogos Mortais’ (que está prestes a lançar mais um título, ‘Espiral – O Legado de Jogos Mortais’, possivelmente esse ano ainda) e com o assustador ‘O Albergue’, que trouxe a ameaça para o universo colorido dos turistas. Para quem curte esse tipo de história, está em cartaz nos cinemas o longa ‘#SemSaída’ – que está dando o que falar.

Cole (Keegan Allen) desde pequeno se exibiu na internet. Começou com seus pais gravando vídeos dele e postando nas redes e, enquanto crescia, o jovem compartilhou no youtube todas as experiências mais marcantes de sua vida. Isso fez com que ele se tornasse um dos influencers mais bam-bam-bam do mundo, e, agora, para comemorar os 10 anos de canal e os milhões de seguidores, sua namorada Erin (Holland Roden), o melhor amigo Thomas (Denzel Whitaker) e seus amigos Dash (George Janko) e Sam (Siya) armam uma surpresa para Cole junto com o empresário Andrei (Pasha D. Lychnikoff): uma viagem surpresa para a Rússia para participar e transmitir ao vivo de um jogo de “Escape Room” – um desafio em que pessoas ficam trancadas em um ambiente e têm uma hora para resolver os mistérios, pois só assim conseguirão escapar do lugar. Só que o que era para ser uma grande diversão acaba se tornando uma experiência muito intensa de luta por sobrevivência.



Escrito e dirigido por Will Wernick, a produção estadunidense parte de um mote muito simples para construir uma atmosfera de terror assustador e totalmente possível: em um mundo em que curtidas são mais importantes do que a experiência em si, e que quando se tem toda a sua vida exposta na internet é preciso estar repetidamente em busca de novas e melhores experiências, nada é o suficiente – portanto, há a necessidade de constante superação, o que faz com que os limites sejam sempre desafiados e, assim, as pessoas frequentemente se colocam em potenciais situações de risco. Tudo por um like.

Com um argumento interessante, ‘#SemSaída’ é constante em seu desenvolvimento e possui uns plot twist inesperados. Dado o aspecto de produção independente, surpreende ver a qualidade do resultado final, inclusive para as cenas de terror e de tortura, com uma maquiagem bem feitinha, atuações convincentes e situações em cujas antecipações do que está por vir constroem sensações de angústia e repulsa no espectador. Para quem curte violência gráfica em história de ficção bem próximas da realidade, ‘#SemSaída’ é uma boa opção em cartaz nos cinemas. E vale também ficar de olho no diretor, Will Wernick, que está se especializando em histórias de terror em situações de confinamento. Deve vir mais coisa bizarramente interessante por aí na carreira dele.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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