Crítica | Sessão de Terapia – Todo mundo deveria ter chance de fazer terapia, e principalmente assistir a série!

Crítica | Sessão de Terapia – Todo mundo deveria ter chance de fazer terapia, e principalmente assistir a série!

Nota:
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Sessão de Terapia faz um dos maiores exemplos de se consegue sim criar uma boa adaptação de uma obra americana para o mercado nacional. Depois de três temporadas exibidas na GNT, a produção dirigida por Stelton Mello retorna com novos episódios, novos pacientes, um novo psicólogo, e claro, em um novo formato!

Foto: GloboPlay

A série chega primeiro na GloboPlay, serviço de streaming da Globo, onde os novos episódios, são 35 no total, acompanham os novos pacientes por 7 sessões. A diferença? Para o quarto ano, o espectador, pode assistir e maratonar as sessões de um determinado paciente de uma vez só, são 5 diferentes histórias, sem esperar a próxima semana, e precisar assistir os capítulos no mesmo dia e horário. A GloboPlay liberou todos os episódios da temporada na plataforma, mas grande diferencial de Sessão de Terapia, em relações as outras produções nacionais, continua.

A série se mantêm com aquele ar intimista de sempre ao fazer uma visão profunda sobre os problemas que os personagens levam para suas sessões, num assunto que pode conversar comigo, com você, ou com qualquer um. Sessão de Terapia faz novos episódios que falam e se comunicam com o mundo moderno, a geração viciada em celulares, o poder e sedução da imagem, sem deixar de criar uma conexão e uma empatia com os pacientes muito forte.

Foto: GloboPlay

No quarto ano vemos na figura do novo psicólogo Caio Barone (Mello, excelente), uma figura mais jovem e pronta para lidar com os mais diversos casos de seus pacientes, e ainda, com seus próprios problemas pessoais que vemos os roteiros desenvolverem ao longo da temporada. Sessão de Terapia, aqui, desconstrói novamente a figura do terapeuta, e coloca o personagem também na berlinda, como uma pessoa com problemas, conflitos humanos, emoções e situações que precisam ser colocados para fora e analisadas. Para isso, temos o retorno de Theo (Zé Carlos Machado) que foi o especialista nas outras temporadas, e, também, a introdução da terapeuta Sofia (Morena Baccarin que faz seu primeiro trabalho em série nacional) que comanda as sessões para o personagem de Mello, onde os episódios que dupla fazem se garantem pela troca em tela que é muito muito boa.
Sessão de Terapia entrega no novo ano reflexões profundas marcadas por histórias tocantes que abordam diversos temas, dos mais diversos níveis de complexidade, que nós como sociedade vivemos em um mundo cada vez mais moderno e conectado. Os destaques ficam com as pacientes Chiara (Fabiula Nascimento, no seu melhor momento), uma atriz de comédia que vive pela validação dos outros e se vê no auge de sua carreira com depressão, onde o episódio faz uma crítica social poderosa sobre o vício de redes sociais, e a imagem perfeita que passamos em nosso feed, e com Guilhermina (Livia Silvia) uma jovem negra que diz sofrer bullying no colégio, mas na medida que os episódios irão se desenrolar, vemos que seu problema é muito maior que isso, e envolve sua própria concepção de família, maturidade, e amigos.
Completam a lista de pacientes, Haidée (Cecília Homem de Mello, magnifica) uma senhora que não vê mais motivos para viver, após a morte do marido, e faz um dos episódios mais fortes do novo ano. Ainda temos também o paciente Fernando Batista (David Junior, talentoso) que coloca em discussão assuntos pouco falados e debatidos, sobre ser negro, ser homem, e ainda enfrentar uma sociedade marcada por esperar certos comportamentos, e que se baseia em estereótipos enraizados grande parte da população, e a nova onda do feminismo.
Sessão de Terapia continua a fazer uma produção da maior qualidade possível, com um roteiro afiado que nos apresenta situações que devem colocar o espectador conta a parede na angustia de quer saber o que irá acontecer com determinado personagem ao longo dos episódios. Segundo afirmou Mello num encontro em São Paulo com o site, todo mundo deveria ter a chance de fazer terapia, e se não, pelo menos dar uma chance para a série que promove pensamentos, discussões, e reflexões completamente válidas e super interessantes.

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