Crítica | Sobibor – Selecionado da Rússia ao Oscar aborda o Holocausto

Crítica | Sobibor – Selecionado da Rússia ao Oscar aborda o Holocausto

Nota:


Fugindo do Inferno

Longa russo que foi a escolha do país para uma chance entre os indicados ao Oscar de produção estrangeira este ano, Sobibor narra uma edificante história real sobre a resiliência do espírito humano em seus momentos de maior desespero e desamparo. O filme não entrou entre os cinco postulantes, mas definitivamente retrata uma digna jornada por um dos períodos mais negros da humanidade, embalada por muita coragem e instinto de sobrevivência.

Sobibor, dirigido pelo ator e cineasta estreante Konstantin Khabenskiy, chega aos cinemas brasileiros bem próximo ao relançamento do neoclássico de Steven Spielberg, A Lista de Schindler (1993), com ele formando uma interessante dobradinha de tópicos. A obra russa também se propõe a descortinar o terrível período dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, onde milhares de Judeus eram covardemente torturados e massacrados.

Já numa das primeiras cenas, onde acompanhamos a chegada dos prisioneiros ao cativeiro, o filme trata de puxar o tapete debaixo de nossos pés ao apresentar os possíveis protagonistas, destacando certos personagens, e logo em seguida tratando de eliminá-los como algumas das primeiras vítimas da horripilante situação na qual se encontram. O recado é claro: “não se apegue a ninguém, esta é uma carnificina sem regras ou sentido”.


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A proposta é louvável e digna de grandes cineastas – em suas estruturas corajosas, eliminando ainda no primeiro ato os pseudo protagonistas. O problema de Sobibor é que os personagens com os quais de fato ficamos e que somos convidados a acompanhar não se destacam o suficiente. A proposta pode inclusive ser proposital. São criadas diversas subtramas com alguns dos presos. Por outro lado, não aproxima o público da história, como fez Spielberg, por exemplo, em seu citado épico do Holocausto.

O segundo ato de Sobibor se arrasta por entre trucidações e trechos difíceis de serem assistidos. Humilhações, torturas físicas e psicológicas e um verdadeiro reinado de medo imperam durante a projeção. A volta por cima é dada no derradeiro ato, no qual o longa consegue pescar novamente nosso interesse, criando suspense narrativo na forma em que os prisioneiros planejam sua fuga. E caso você não conheça a história real, saiba que o filme relata um dos mais notórios casos de escapada de um campo de concentração por parte dos prisioneiros, que se insurgiram contra seus captores.

Curiosamente, Sobibor foi gravado simultaneamente em outras quatro línguas além do russo – visando sua distribuição internacional. No elenco, chama atenção o eterno Highlander, Christopher Lambert, que interpreta um oficial do alto escalão nazista. Acostumado a papéis de heróis no cinema, o ator dá vida a seu antagonista com gosto. No entanto, Lambert foi o único membro do elenco que gravou suas cenas em inglês – e precisou ser dublado, o que terminou prejudicando sua performance.

Sobibor é um filme correto, dono de palpáveis resquícios históricos, recomendado para os aficionados e todos aqueles que tenham interesse pelo período e por estudar o tema. Para os demais, não é uma obra que se destaque, ou que adicione muito cinematograficamente ao que se propõe a dizer ou fazer. Mesmo assim, não se torna dispensável de forma alguma.


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