Crítica | ‘Sobrenatural: Agora Entre Nós’ expande a franquia de terror com boas atuações, mas uma história frustrante

A franquia ‘Sobrenatural’ teve início em 2010 sob o comando de Leigh Whannell, que, à época, já havia mergulhado no cenário do terror ao trabalhar com James Wan no primeiro capítulo da franquia ‘Jogos Mortais’. A trama nos apresentou a um casal, formado por Patrick Wilson e Rose Byrne, que enfrenta uma verdade dura e assustadora: o filho tem a capacidade de fazer projeções astrais quando dorme, visto que entra em uma profunda comatose, e, assim torna-se alvo de um perigoso demônio que captura sua alma e leva o pai a buscá-lo no plano espiritual sem a certeza de que qualquer um dos dois voltará. Arrecadando quase cem vezes o valor de seu orçamento e angariando comentários relativamente positivos do público e da crítica, o sucesso do filme deu origem a uma contínua franquia cinematográfica que já conta com duas sequências diretas e duas pré-sequências.

Agora, está na hora de retornar a esse universo com o lançamento de ‘Sobrenatural: Agora Entre Nós’. Com estreia agendada para o próximo dia 20 de agosto nos cinemas nacionais, a sexta entrada da saga de terror traz Lin Shaye de volta como Elise Rainier e nos apresenta a uma história inédita e que expande a mitologia de maneira honesta e com uma premissa muito interessante – mas que, eventualmente, denota o crescente cansaço da franquia ao não saber como manejar o enredo e mergulhar em uma frenética sucessão de eventos que não fazem o menor sentido. Apesar do elenco fazer um bom trabalho, o resultado é aquém do esperado e mostra que, talvez, uma mudança drástica na direção dos possíveis próximos filmes seja imprescindível para nos entreter.

A história introduz Gemma (Amelia Eve), uma higienista dental que vive apenas com a filha Maya (Island Austin) na mesma casa que passou a vida inteira – palco de um trauma que envolve a falecida mãe, Ingrid (Laura Gordon), e que marcou a protagonista para sempre. Recusando-se a sair de lá e até mesmo a jogar velharias fora (talvez como um lembrete de não cometer os mesmos erros com Maya), Gemma percebe que algo de sinistro se esconde na escuridão e atormenta seus sonhos, que se tornam cada vez mais lívidos e que começam a drenar seu vigor. Não demora muito até que, durante uma viagem ao plano astral, ela cruze caminho com Elise, que revela que ela é uma Mensageira – uma médium poderosa que tem a habilidade de trazer coisas do plano espiritual para o terreno (e vice-versa).

Como podemos imaginar, Gemma atrai a atenção de uma entidade maligna que tem pleno conhecimento de seus poderes e que pretende usá-la, assim como tentou décadas atrás com Ingrid, para não apenas levá-lo de volta ao mundo dos vivos, mas garantir que todos os seus seguidores do Além (ou Further, no original em inglês) retornem ao mundo terreno para transformá-lo em um reino de caos, destruição e morte. A partir daí, Gemma e Elise unem forças para impedir que os planos se concretizem – em um compilado de incansáveis personagens e cenas que tentam dar um passo maior do que a perna e que, no final das contas, nos fazem sair da sala de cinema com um gostinho agridoce de frustração e de decepção.

O filme é escrito e dirigido por Jacob Chase, que, apropriando-se da conhecida identidade claustrofóbica e labiríntica, faz sua estreia na franquia com estilizadas e práticas investidas. De certa maneira, sua ideia é promover um encontro de todos os nomes que passaram pela saga, incluindo Whannell, Wan, Wilson e Adam Robitel, transferindo atenção para uma história inédita que tinha tudo para resgatar suas gloriosas raízes – mas que, com exceção de alguns bem-vindos jump scares, não foge da curva e se mostra apaixonado demais pelo que veio antes para que consiga caminhar com os próprios pés. Todavia, o fraco roteiro torna a missão de encontrar esse frescor quase impossível, forçando os atores a navegarem por diálogos previsíveis e recheados de convencionalismos que mais o aproximam do desastroso ‘O Exorcista: O Devoto’ do que à franquia em si.

De qualquer forma, o comprometimento do elenco é algo a ser notado: Eve, que ganhou reconhecimento por seu trabalho em ‘A Maldição da Residência Hill’, explora as complexidades de uma psique atormentada por fantasmas do passado que insistem em persegui-la, arrancando certos momentos ótimos e nutrindo de uma química palpável com seus colegas – incluindo Austin, Brandon Perea e Maisie Richardson-Sellers. O retorno de Shaye é um dos destaques do projeto e, mais uma vez, ela se diverte em sua performance como Elise, não tendo o protagonismo dos títulos anteriores, mas funcionando como uma mentora espiritual de Gemma e garantindo que ela alcance seu pleno potencial para… Bom, basicamente salvar o mundo.

‘Sobrenatural: Agora Entre Nós’ aposta em uma revitalização da clássica franquia de terror, porém, ao não acreditar no próprio potencial, volta a denotar a fadiga desse universo e coloca um ponto de interrogação em seu próprio futuro – ainda que os fãs mais assíduos da saga possam encontrar algo com o que divertir aqui.

Notícias

Grace Caroline Currey irá RETORNAR na sequência ‘A Queda 3’

De acordo com o Dread Central, Grace Caroline Currey...

Rita Wilson indica possível RETORNO no revival de ‘Girls’

Em entrevista ao People, Rita Wilson ('Asteroid City') indicou...

Mindy Kaling se junta ao elenco da 3ª temporada de ‘A Dona da Bola’

De acordo com o Deadline, Mindy Kaling ('Oito Mulheres...

10 filmes para abraçar a vida e se emocionar!

Sempre que assistimos filmes que chegam forte nas nossas...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.