Sofia Carson vem ganhando notoriedade extrema no circuito fílmico atual – em grande parte fruto de uma parceria de enorme sucesso com a Netflix. Ao longo dessa colaboração contínua, Carson encabeçou produções como ‘Continência ao Amor’ e ‘A Lista da Minha Vida’, denotando um apreço considerável por rom-coms, revelou um lado voltado para a comédia com ‘Feel the Beat’ e até mesmo explorou as incursões de ação e aventura com o recente ‘Bagagem de Risco’. Agora, Carson faz seu retorno à gigante do streaming com o romance ‘Meu Ano em Oxford’, aguardado longa-metragem inspirado no romance homônimo assinado por Julia Whelan.
A trama parte de inúmeras histórias do gênero que conquistaram fãs ao redor do mundo e, talvez, seus aspectos de maior sucesso provenham da noção de que não há nada de novo a ser ofertado – o que não é um problema, necessariamente. Carson, em todo seu conhecido e sólido magnetismo performático, dá vida a Anna De La Vega, uma jovem que, desde os dez anos de idade, sonhava em ir para Oxford. E, após se graduar com honra na universidade e esquadrinhar um plano completo para o resto de sua vida, ela resolve tirar um “ano sabático” e participar de um curso de poesia vitoriana na Universidade de Oxford – uma das mais prestigiadas do mundo.

Ao se mudar para Londres, ela tem um início um tanto conturbado ao cruzar caminho com Jamie (Corey Mylchreest), um estranho a encharca com o próprio carro e que vem a se tornar seu professor – uma frustração grande para Anna, que esperava ter aulas com sua maior inspiração. E, em uma remodelação mais branda da estética do enemies-to-lovers, a relação entre os dois torna-se cada vez mais íntima até transformar-se em um romance fervoroso e que se beneficia da incrível e apaixonante química entre Cason e Mylchreest. Porém, como é de costume dentro de produções do gênero, as coisas não são tão simples e belas o tempo todo – e o crescente amor que um sente pelo outro é colocado à prova mais de uma vez.
Iain Morris, que assume o cargo de direção e que ficou famoso por seu trabalho em ‘The Inbetweeners’, tem plena ciência do tipo de projeto que assume aqui – e navega com ritmo conciso e confortável através dos convencionalismos, abraçando-os em prol de uma clara praticidade. À medida que constrói cada um dos atos de maneira a explorar ao máximo as tramas principais, o realizador não apenas foca no complexo relacionamento entre Anna e Jamie, mas garante que a força-motriz se expanda para seus próprios arcos, firmando um paralelo entre as tours-de-force vividas pelos protagonistas.

Anna é uma sonhadora, mas firma o pé no chão ao não ter a opção de “cometer escolhas erradas” e traçar um claro plano que a levará ao sucesso e às oportunidades que foram renegadas à sua família. Todavia, ao se envolver mais e mais com Jamie, ela percebe que a vida é feita de momentos e que cada segundo conta como se fosse o último – algo que ele a ensina. Em contrapartida, Jamie mergulha em um confrontamento de suas convicções, visto que jurou não se apegar a ninguém em virtude de uma batalha perdida contra o câncer e sua decisão de viver ao máximo e fora da cama de um hospital. E é claro que, sequência a sequência, eles entram em território perigoso, mas que vale a pena por cada sorriso arrancado e cada declaração de amor proferida.
Como podemos perceber, a história parte de produções similares como ‘A Culpa é das Estrelas’ e ‘Como Eu Era Antes de Você’, em que as clássicas máximas do amor impossível e da efemeridade do tempo se tornam personagens principais. Aqui, o teor jovial é reconstruído para uma ambientação mais amadurecida em que cada detalhe precisa ser pensado com minúcia significativa. Dentro desse espectro, o arco envolvendo Jamie e Anna é pincelado com a presença de um corpo de atores muito talentoso, que inclui Dougray Scott e Catherine McCormack em interpretações fabulosas como os pais de Jamie. De fato, os erros existem em uma similaridade não muito inspirada de obras anteriores – mas conseguimos deixar de lado os deslizes quando abraçamos essa honesta narrativa e a celebração da vida como ela é.

‘Meu Ano Em Oxford’ encontra sucesso principalmente na encantadora atuação de Carson como a protagonista Anna, reiterando seu merecido status como uma das queridinhas da atualidade, e no bem-vindo trabalho de Mylchreest como seu par romântico. Em uma produção comprometida em nos emocionar com um enredo fácil e delicioso de acompanhar, o novo filme original da Netflix cumpre com os requisitos esperados de um romance despojado e nos entretém mais uma vez.
