Crítica | Sono da Morte







SÓ PELO JACOB TREMBLAY O FILME JÁ VALE!

 

O Sono da Morte (Before I Wake) é uma grata surpresa que o gênero terror/fantástico dá aos fãs. Mas, para que esses mesmos fãs não se decepcionem, e saiam falando que ele não é terror ou não mete tanto medo, é bom irem para as salas de sessão sabendo que o filme está mais próximo de um cinema fantástico com uma pegada de suspense do que um filme de terror puro. Segundo o próprio diretor, o filme é mais uma fábula ou um drama sobrenatural.

É uma obra bastante original desde o argumento: Cody (Jacob Tremblay) é um garoto órfão que tem o dom de fazer seus sonhos se materializarem. O problema é que seus pesadelos também se tornam reais! E o pior deles é o Homem Cancro! Cody já passou por vários lares antes de ser adotado pelo casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane). Eles perderam o filho pequeno e a adoção foi uma maneira de curar as feridas e recomeçar a vida. Um dos pontos curiosos do roteiro é que, quando percebe o dom do Cody de materializar seus sonhos, Jessie fará de tudo para o menino sonhar com o seu falecido filho.

O Sono da Morte 1

Independente de classificações que se queria dar, O Sono da Morte é uma narrativa que surpreende também em seu desenvolvimento. O roteiro sempre busca caminhos pouco convencionais, tomando decisões corajosas e surpreendentes. Essa postura fora da caixinha segue até o desfecho da narrativa. Sem entrar em detalhes sobre o final, fiquei muito satisfeito ao encontrar uma conclusão que não apelava aos clichês e conseguia explicar os acontecimentos com coerência e fornecendo novas camadas interpretativas – camadas tão interessantes que estimulam outras idas às salas de exibição.



Uma questão interessante levantada pelo filme é o abuso afetivo que Jessie pratica em Cody, na tentativa de fazê-lo sonhar, cada vez mais, com o seu filho falecido. Neste ponto, o filme é uma metáfora sobre relações doentias que podem surgir entre pais e filhos adotivos.

Os pontos fracos do filme (como a péssima atuação do antigo pai adotivo de Cody, ou o fato inverossímil de um garoto com os dons de Cody não ser notícias nos jornais) são compensados com a ótima e surpreendente história e a concepção visual dos sonhos do garoto. A cena do natal é de especial beleza. Quanto ao Homem Cancro – grande pesadelo do garoto – no começo, fiquei incomodado por ele ser de computação gráfica. Normalmente, o uso de CGI no terror retira realismo da imagem, diminuindo a sensação do terror. Porém, como se trata dos sonhos de um garoto com cerca de 10 anos de idade, e o filme é mais fábula do que terror, a computação gráfica acaba por contribuir para o lado fantástico da narrativa.

O Sono da Morte 2

Um dos pontos mais fortes do filme é Jacob Tremblay. Com sua fofura derrete corações, o jovem ator confirma seu imenso talento. Ele consegue entregar todas as camadas que o personagem Cody exige, sendo um dos elementos essenciais para que o público compre a história do filme. Torço muito para que Tremblay não seja mais uma criança prodígio que vai se perder por Hollywood.

Com este O Sono da Morte, o diretor e roteirista Mike Flanagan confirma-se como um dos nomes mais interessantes da vertente horror/fantástico. É dele também os filmes O Espelho (Oculus) e Hush: A Morte Ouve (Hush).

E, ai, o que achou do filme? Gostou, ou achou ruim? Também achou que o título em português foi uma péssima escolha? Saiu da sessão se derretendo com a fofura e o talento de Jacob Tremblay? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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Georgenor Franco Neto

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