Crítica | Super Quem? – Paródia Francesa zoa Marvel e DC do Início ao Fim… e é HILÁRIA!

Não tá fácil para os atores. Quem não participa de uma das duas principais franquias de super-heróis do mundo – a Marvel e a DC – praticamente fica relegado a papéis de menos impacto comercial na indústria. Ao menos é assim que muitas produtoras têm encarado a nova realidade do mercado da última década e meia, razão pela qual alguns atores acabaram entrando para esse filão e, em contrapartida, muitos outros passaram a ter dificuldade em conseguir papéis em filmes. Este é o mote de ‘Super Quem?’, comédia francesa que chega essa semana aos cinemas brasileiros e vai arrancar gargalhadas do público jovem.

Cédric (Philippe Lacheau) é um ator fracassado, cuja carreira se resume a um único comercial de camisinha extra-pequena. Seu pai, Michel Dugimont (Jean-Hugues Anglade), é um delegado de polícia que sente vergonha dos tropeços do filho. A sorte de Cédric muda quando sua agente o chama para estrelar o novo filme de super-herói Badman, em que será o personagem principal e contracenará com seu ídolo, Alain Belmont (Georges Corraface), que será um palhaço do mal. Tudo vai bem nas gravações até Cédric sofrer um acidente e, ao acordar, dar-se conta de que perdeu a memória. Então, o rapaz vê um jornal cenográfico que conta sobre os assaltos do palhaço malvado e, desmemoriado, Cédric passa a acreditar de que é um justiceiro de verdade, cuja família fora sequestrada pelo vilão e, agora, precisa salvar a esposa e o filho das garras do malfeitor.

Em apenas uma hora e vinte de duração, ‘Super Quem?’ supera qualquer expectativa e mostra-se como um filme genial. Abraçando o gênero da paródia (que anda muito em falta no circuito) o longa de ação francês se apropria do que há de melhor e de pior nos filmes de herói para gerar uma história absurda e totalmente crível. Por isso o ator Philippe Lacheau não se faz de regado e zoa até mesmo sua profissão, evidenciando a necessidade de os profissionais da classe se aventurarem no heroísmo para conseguir trabalho na indústria. Escrito e dirigido por ele mesmo, o auge do roteiro reside nas constantes zueiras que facilmente serão identificadas pelo público desde que o mote é apresentado (o próprio personagem questiona se Badman não é muita cópia do ‘Batman’) a até cenas clássicas dos filmes conhecidos da garotada (o beijo do ‘Homem-Aranha’, a Lois Lane repórter e a cena épica dos Vingadores indo enfrentar Thanos, que é simplesmente de rolar de rir).

Funcionando como um ‘Todo Mundo em Pânico’ dos filmes de herói, o deslize do roteiro é a insistência em piadas sexuais que, além de deslocadas, muitas vezes não fazem sentido e até mesmo constrangem. Apesar de recorrentes, não são suficiente para tirar a graça de ‘Super Quem?’, que consegue até mesmo inserir um cover de Stan Lee e o instituto Xavier aleatoriamente em sua trama.

Engraçado, divertido e coerente, ‘Super Quem?’ é um presente para os fãs da Marvel e da DC, sendo, inclusive, melhor do que alguns lançamentos de ambas as franquias. Através da paródia, a comédia francesa presta homenagem ao gênero dos anos 2000 e resgata o outro gênero, que tanto fez sucesso nos anos 1990. Um filme para ir se divertir com a turma nos cinemas.

 

Notícias

10 filmes tão bons que até sua preguiça vai curtir!

Tem dias em que estamos tão estressados que não...

‘Mortal Kombat II’ ganha data de estreia no streaming!

'Mortal Kombat II', sequência estrelada por Karl Urban no...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.