Crítica | Ted 2

Em 2012, um ursinho de pelúcia adorável tomou o mundo de assalto em ‘Ted’, e logo caiu nas graças do público. Apesar de sua boca incrivelmente suja, propensão ao humor movido à maconha e palhaçadas de conotação sexual, o ursinho falante virou um cult instantâneo.

Roteirizado e dirigido por Seth MacFarlane, o criador da série animada ‘Uma Família da Pesada’ (Family Guy), a comédia para maiores de idade custou US$ 50 milhões e arrecadou US$ 550 milhões mundialmente.

Com o sucesso estrondoso, MacFarlane foi promovido a astro na Universal Pictures e recebeu sinal verde para desenvolver outra comédia para o estúdio: ‘Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola’ (A Million Ways to Die in the West), que ele estrelou, roteirizou e dirigiu. O filme foi um fiasco comercial e de crítica, e sua genialidade começou a ser colocada em xeque.

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Com a sequência de ‘Ted’, percebemos que MacFarlane sofre do mesmo mal que M. Night Shyamalan (‘O Sexto Sentido’), cujo primeiro e brilhante filme foi o… último.

Ted 2’ peca em trazer a originalidade e diversão que conquistaram o público no primeiro filme, e se torna um subproduto daquilo que ele mesmo parodiava… Ao contrário do ursinho protagonista falante do título, a sequência é um filme sem alma e sem coração.

Algumas das grandes piadas do filme acabam gerando risadinhas de vergonha alheia, e a história consegue ser mais implausível do que imaginar um ursinho que anda e fala.

Ted se casa com Tami-Lynn, a mulher ordinária de seus sonhos, e os problemas matrimoniais logo começam a afetar os dois. Para salvar o casamento, eles decidem ter um bebê.

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Suas esperanças começam a ruir quando o Governo de Massachusetts declara que Ted não é uma pessoa, desse modo, inelegível para adotar. Ele é despedido de seu emprego no supermercado e categoricamente informado de que seu casamento foi anulado.

Zangado e abatido, Ted contém sua frustração e pede ao seu melhor amigo que o ajude a processar o estado e ganhar o direito que ele merece. Para atuar como advogada, eles recrutam uma jovem fã de maconha para fins medicinais, chamada Samantha L. Jackson (Seyfried) e partem para os tribunais. Porém, quando Ted perde o processo, os três caem na estrada rumo a Nova York, numa última tentativa de convencer o lendário advogado de direitos civis Patrick Meighan (Morgan Freeman), a assumir o caso.

Sem a graça do primeiro ‘Ted‘, e com o desfalque da bela Mila Kunis – que não aceitou voltar e foi substituída por uma Amanda Seyfried fraquíssima – a história falha em conseguir a empatia do público com a jornada do ursinho.

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Nem a atuação de Mark Wahlberg consegue salvar o filme, trazendo seu lado mais canastrão ao fazer um protagonista bobão, triste e maconheiro – sem qualquer traço com seu personagem divertido do primeiro filme.

Por fim, ‘Ted 2’ é a prova que alguns filmes não deveriam ganhar sequência, ainda mais quando ela é claramente feita para conseguir mais uns trocados no embalo do sucesso do original.

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Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.

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