Todo país, toda cidade tem suas próprias histórias macabras que encobrem com uma grande sombra a felicidade dos moradores locais. Alguns desses casos ocorreram de verdade, e andam inspirando incontáveis documentários nas plataformas de streaming. Outros, porém, são ficção, mas de tão bem construídos e justificados na trama, tendem a enganar o espectador sobre a veracidade dos fatos. É o que acontece em ‘Terror em Shelby Oaks’, grande lançamento de terror nos cinemas na semana do Halloween.

Mia (Camille Sullivan) hoje é completamente infeliz. Sua irmã Riley (Sarah Durn) está desaparecida há tempos, e não há nenhum paradeiro dela desde que a jovem e seu grupo de amigos do podcast The Paranormal Paranoids visitou a pacata cidade de Shelby Oaks, no interior dos Estados Unidos. Na ocasião, algo sombrio aconteceu a eles, e, desde então, Riley segue desaparecida. A questão é que a polícia local e o delegado Morton (Keith David) não têm muitas provas e estão quase dando o caso como encerrado sem solução, porém Mia, certa de que sua irmã ainda está viva, decidirá seguir com a investigação por conta própria, nem que isso signifique colocar a própria vida em risco.
Dirigido e escrito por Chris Stuckmann (com colaboração no roteiro de Sam Liz, com quem é casado), é justamente a estrutura criativa da primeira metade do roteiro de ‘Terror em Shelby Oaks’ que traz algum frescor às produções cinematográficas como um todo e, portanto, se torna o ponto forte do longa. O filme começa com uma sequência de depoimentos alternados entre Mia, o marido desta e o delegado Morton, filmados por uma equipe de audiovisual que capta as imagens e áudios dando a entender que estão fazendo alguma cobertura sobre o caso ocorrido em Shelby Oaks. Esses minutos iniciais nesse formato dão um tom experimental ao filme, pois mistura realidade e ficção através da abordagem documental dos depoimentos, o que favorece a imersão do espectador na veracidade dos fatos apresentados.

A partir daí o longa vai se desenvolvendo de maneira mais regular, abandonando o aspecto documental e entregando a narrativa ficcional padrão, dramatizada, enquanto Mia começa a investigação por conta própria. Esta parte, somada aos elementos que engatilham os eventos do filme, sustentam o clima de suspense do projeto de Chris Stuckmann que fez carreira criando review de filmes para a internet. Até este ponto, ‘Terror em Shelby Oaks’ entrega uma história acima da média com propostas criativas de realização cinematográfica. A questão toda talvez seja a conclusão do filme, que talvez deixe uma sensação de que o próprio diretor não conseguiu sustentar sua ideia até o fim e talvez tenha se deixado interferir por forças externas que tenham palpitado no seu projeto e afastado a resolução da trama da coerência.
Mesmo com essa irregularidade final, ‘Terror em Shelby Oaks’ é um projeto interessante que mistura estéticas distintas para contar uma história simples que bebe em fontes de clássicos do terror como ‘A Bruxa de Blair’ e entrega essas referências para uma geração jovem demais para ter vivenciado o impacto desse clássico. ‘Terror em Shelby Oaks’ é uma boa pedida do gênero nos cinemas para quem curte dar chance ao terror experimental independente.

