sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Crítica | ‘The Flash’ abraça a “velha guarda” dos filmes de herói e se consagra como um dos MELHORES da DC



Crítica livre de spoilers.

O panteão cinematográfico da DC sempre passou por altos e baixos – entregando filmes incríveis como ‘Shazam!’ e ‘Mulher-Maravilha’ na mesma medida que decepções de crítica e de bilheteria, como ‘Liga da Justiça’ e ‘Batman vs. Superman’. Agora que James Gunn e Peter Safran uniram forças para revitalizar esse universo, podemos dar uma nova chance às futuras produções que chegarão para os fãs ou até mesmo para os estreantes nessa vibrante mitologia – mas não antes do lançamento de The Flash, um dos títulos mais aguardados de 2023 e cujas expectativas se elevaram a níveis estratosféricos. E, contrariando os céticos e os haters das adaptações da DC, a obra protagonizada por Ezra Miller é um ótimo entretenimento que mascara temas muito profundos com uma simples e funcional narrativa super-heroica.

A trama já começa com uma potente cena de ação, em que Barry Allen/Flash (Miller) é chamado para socorrer as vítimas de um atentado terrorista em um hospital. Enquanto a sequência inicial já consegue nos dar o tom do filme, ela serve também como um impulso para compreendermos as verdadeiras intenções de Barry e os traumas que carrega por muito tempo – visto que a mãe foi assassinada quando ele era apenas uma criança e que o pai levou a culpa e, agora, espera um julgamento que parece não ter um final feliz. É a partir daí que, movido pela breve centelha de esperança em restaurar uma família que se despedaçou por uma tragédia mal explicada, Barry se move pela angústia e pela melancolia para voltar no tempo e impedir que a mãe morra. Entretanto, o que ele não esperava é que suas ações benévolas desencadeariam uma série de eventos prenunciando a implosão do multiverso.

O que você faria se pudesse voltar no tempo é a máxima que rege o longa-metragem comandado por Andy Muschietti (que alcançou fama mundial após comandar os dois capítulos do terror ‘IT – A Coisa’) – e uma pergunta que com certeza já nos passou pela mente. Afinal, todos cometemos erros e nos sentimos responsáveis por ter agido de outra maneira e ter consertado o que foi quebrado. Barry, dessa forma, descobre que tem uma habilidade de retornar ao passado, quebrando regras frágeis do espaço-tempo para “mexer alguns palitinhos” e garantir a sobrevivência daquela que nunca esqueceu. Ora, é notável como o protagonista é envolto por uma cegueira justiceira que o faz esquecer do efeito borboleta – e que o leva em uma jornada tortuosa de reparação e de saudosismo. Todavia, por mais nobres que suas intenções tenham sido, o tiro sai pela culatra e ele abre uma linha do tempo paralela à que pertence, criando uma fenda perpendicular no multiverso que premedita catástrofe.



Miller faz um trabalho aplaudível ao dar vida a duas versões de si mesmo – uma mais velha, recheada de cicatrizes e de fantasmas do passado; e outra mais jovem, alheia ao que poderia ter acontecido e encantada com o que o futuro a reserva. E vale lembrar que, nesse texto, me disponho apenas de uma análise crítica da obra que me foi mostrada – e não das atitudes condenáveis do ator, que serão, com sorte, resolvidas judicialmente. Entregando-se de corpo e alma ao papel que lhe foi confiado, Miller rouba os holofotes e é respaldado por temáticas importantes e críveis o suficiente para que possamos nos relacionar com ele, mesmo que o Flash seja um meta-humano.

Mas ele não é o único a nos presentear com uma grande performance: temos também Sasha Calle como Kara Zor-El/Supergirl, resgatada de uma prisão de segurança máxima e uma peça importante para o seguimento da história – ainda que não tenha tempo de tela tão sólido quanto esperávamos. E, como a cereja do bolo, Michael Keaton ressurge como Batman em uma atuação espetacular e recheada de referências às clássicas produções de que participou, além de infundir o personagem com uma humanidade emocionante que o torna imprescindível para a conexão com o público.

Muschietti comanda esse espetáculo visual imprimindo a própria identidade, mas fazendo questão de mencionar as adaptações que vieram antes – seja de Flash, de Batman ou da própria Supergirl. À medida que as quase duas horas e quarenta se desenrolam, é notável como o cineasta sabe o que está fazendo, guiando os atos em uma fluidez satisfatória – ainda que o bloco de encerramento seja muito arrastado. Ele, inclusive, retoma colaboração com o compositor Benjamin Wallfisch, dando espaço o suficiente para que ele mistura trilhas familiares com inflexões épicas e teatrais, puxando inspirações de John Williams e Hans Zimmer para uma crueza heroica orquestral e operística (sem se valer de um mimetismo barato).

Além do terceiro ato, o principal problema são os efeitos visuais; claro que é possível ignorar a artificialidade do CGI caso compremos, por completo, as inclinações noventistas da imagética do filme – mas, em alguns momentos, as construções estéticas são tão falsas que quebram a magia. Mas isso não significa que o resultado não seja positivo, pelo contrário: o conciso roteiro nos ajuda a compreender que a ideia não é reinventar o que já existe, e sim utilizar as fórmulas a favor da obra e garantir que o público saia da sala de cinema realizado e até mesmo com vontade de reassistir.

The Flashentrega exatamente o que vem prometendo há vários anos, configurando-se como uma das melhores entradas dessa fase final da DC conforme abre espaço para um futuro que tem tudo para encontrar sucesso. Divertido, emocionante e pincelado com reflexões sobre o que significa conviver com a imutabilidade do passado, o longa merece ser visto na maior tela de cinema possível – e é garantia de agradar os espectadores.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.