Crítica | The Girl in the Photographs, produzido por Wes Craven



Terror Genérico

De Pablo Bazarello, enviado especial a Toronto.

É uma pena que a despedida do icônico Wes Craven (A Hora do Pesadelo), falecido no último dia 30 de agosto, seja num filme tão esquecível e sem graça. Craven produziu o filme, que será marcado como seu último trabalho. A direção é de Nick Simon (roteirista de Dinheiro Sujo e A Pirâmide), que infelizmente veio a Toronto, subiu ao palco e no final presenciou o silêncio mortal após o fim da sessão (geralmente aplausos são ouvidos no fim de cada filme, mesmo nos não muito bons).

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Escrito pelo próprio diretor, The Girl in the Photographs até possui uma premissa interessante. Numa pacata cidadezinha americana, misteriosas e violentas fotos começam a surgir, sem que a polícia sequer possa provar a veracidade delas – geralmente envolvendo jovens mortas, dilaceradas e ensanguentadas. Segundo os policiais do filme, espalhar fotos de tamanho mau gosto não é um crime.

Colleen, uma jovem atendente de supermercado, começa a investigar as fotos, ao mesmo tempo em que sua relação com o namorado problemático começa a ruir. Uma das melhores coisas do filme definitivamente é a descoberta da gracinha (com g maiúsculo) Claudia Lee, que dá vida e muita graça para a protagonista, deixando a experiência menos dolorosa.

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É quando surge uma outra subtrama, envolvendo um afetado fotógrafo, interpretado por Kal Penn (totalmente fora de tom) e sua trupe, que o filme desanda totalmente. O trecho de Penn deveria servir de humor para o filme, trazendo elementos de sátira para a obra, algo dentro do subgênero terrir (Pânico, O Segredo da Cabana, The Final Girls). O problema é que a obra possui violência extrema e grande teor de crueza, tentando seguir por dois espectros incompatíveis.

A trilha sonora e a fotografia do veterano Dean Cundey (Jurassic Park e Apollo 13) criam uma atmosfera legal e interessantíssima para um terror barra pesada, explorando bem os lugares escuros salientados por John Carpenter em Halloween. Mas o roteiro segue pela linha da mesmice, apresentando serial killers tão genéricos que poderiam passar como sátira, se não optassem (assim como o filme) pela linha da seriedade. A cena final é boa, mas até lá o filme já havia deixado de ser.

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Pablo R. Bazarello
Crítico, cinéfilo dos anos 80, membro da ACCRJ, natural do Rio de Janeiro. Apaixonado por cinema e tudo relacionado aos anos 80 e 90. Cinema é a maior diversão. A arte é o que faz a vida valer a pena. 15 anos na estrada do CinePOP e contando...

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