Crítica | The Good Fight: 2ª Temporada – mais agressivos do que nunca

Crítica | The Good Fight: 2ª Temporada – mais agressivos do que nunca

Nota:

Vivemos numa época em que é comum séries de TV de grande sucesso com personagens secundários que se destacam ganharem suas próprias produções no que chamamos de spin-off. Lá em 1999, Buffy: A Caça-Vampiros teve sua versão desta com Angel, estrelado por David Boreanaz. Já em 2007, Private Practice foi o de Grey’s Anatomy, e dentro da CW sabemos que The Vampire Diaries não para de ganhar spin-off (risos). Mas claro, isso sou eu apenas mencionando alguns nomes famosos que embarcaram nesta jornada.

Em fevereiro de 2017, a série de sucesso da crítica e ganhadora de mais de 25 prêmios estrelada por Julianna Margulies, The Good Wife, obteve seu próprio spin-off com a produção The Good Fight, também criada por Michelle e Robert King com a adição de Phil Alden Robinson (Quebra de Sigilo) no time. Nesta etapa, quem lidera o elenco é Christine Baranski na pele, novamente, da advogada Diane Lockhart, seguida de Cush Jumbo, na pele da conhecida Lucca Quinn, e o rostinho novo Rose Leslie, dando vida a Maia Rindell.

A série, que sai diretamente no serviço de streaming do canal CBS e é distribuída pela Amazon Prime Video no Brasil, fez uma primeira temporada tão poderosa que a segunda parte ganhou um adicional de três episódios completando 13 invés dos 10 do ano anterior. Com a terceira temporada já confirmada, a segunda só vem mostrar que aquilo que já era muito bom pode sim ficar ainda muito melhor.



Com um roteiro de deixar qualquer espectador com vontade de gritar aos quatro cantos que produção ícone ela é, os King e Robinson não hesitam em estar mais agressivos durante este ano do que o anterior. Com uma trama amarrada, ainda trazendo alguns conflitos deixados em aberto em 2017, a série aprofunda ainda mais os personagens já conhecidos, adiciona novos que só fazem somar à narrativa e dão espaço para aqueles que merecem.

Se antes as críticas à sociedade norte-americana e governo já existiam, nesta temporada é um soco no estômago atrás do outro sem parar. O tempo todo o telespectador é envolvido pelas histórias apresentadas e encaminhado para uma jornada em que mostra no que o país tem se tornado devido a liderança de Trump. Diria, inclusive, que é ótimo assistir em dobradinha com Unbreakable Kimmy Schmidt. Enfim, desconhecendo os limites, o roteiro não hesita em colocar discussões sobre o governo em evidência, assim como os rumores sobre as ações do Presidente e as consequências das mesmas. É interessante a visão quase idealística e utópica de Adrian (Delroy Lindo), Diane, e os outros que fazem parte do escritório Reddick, Boseman, Lockhart e associados.

É preciso destacar os debates em relação a porte de armas, corrupção política e policial, racismo, homofobia, entre outros, que giram em torno da excelente narrativa escrita pelo grupo de roteiristas de The Good Fight. Os diálogos da série são de uma finesse para dar gosto em qualquer espectador que tire algumas horas do dia para assistir. Ademais, a produção não dá tempo de piscar, porque caso você se distraia por um segundo, perde algo importante da história apresentada.

Obviamente nada disso seria possível sem um elenco honrando a grandiosidade da trama. Com a liderança fantástica de Baranski, a personagem apaixonante de Jumbo e a excelente atuação de Leslie, The Good Fight vai se moldando. Necessário e importante dizer que são as relações desses profissionais dentro da empresa que mais atrai a quem assiste, é como se o escritório fosse, de fato, uma verdade e grande família. As interações contém uma naturalidade que torna tudo aquilo apresentado verídico. E é necessário falar sobre Sarah Steele interpretando Marissa Gold, que ganhou destaque durante a segunda temporada e só fez com que o espectador a amasse ainda mais. Nyambi Nyambi como Jay Dipersia, Justin Bartha na pele de Colin Morello, Audra McDonald vivendo Liz Reddick-Lawrence são só alguns dos nomes que completam este maravilhoso e exemplar elenco.

Na parte técnica a série cumpre o papel de direção e, inclusive, permanece a marca da temporada anterior. A trilha sonora também realiza um bom trabalho, e a arte faz o que sabe de melhor. É como se todos os elementos se harmonizassem para honrar a excelente produção que The Good Fight é, e manter a storyline na contínua reta que segue, sem titubear.

Fato é que se você viu a primeira temporada e achou muito boa, prepare-se para ser surpreendido e perceber que eles conseguem deixa-la ainda melhor nesta segunda. Parece, então, que assim como na história, o impossível é possível sim.





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