Crítica | The Marvelous Mrs. Maisel - Inteligente, feminista e afiada

Crítica | The Marvelous Mrs. Maisel - Inteligente, feminista e afiada

Nota:

Existem séries de TV que capturam a atenção do telespectador de tal forma que torna difícil para o mesmo desgrudar da tela, e até ter vontade de rever toda a história de novo. Honestamente, são poucas as produções que despertam em mim um anseio por ver tudo novamente assim que finalizo, porém, com The Marvelous Mrs. Maisel pude vivenciar isto.

A série criada por Amy Sherman-Palladino (Gilmore Girls), original da Prime Video (Amazon), que veio recolhendo diversos prêmios de melhor série de comédia e melhor atriz de comédia, tem tamanho mérito com razão. Contando com oito episódios, a produção audiovisual narra a história de uma residente de Nova York, em plenos 1958, com a família perfeita e moradora do Upper West Side que se vê diante uma reviravolta na vida na qual precisa decidir o que fazer dali para frente. Midge (Rachel Brosnahan) decide então se arriscar como comediante de stand-up e a partir disso a história se desenvolve.

O roteiro é impecável, chega a dar gosto acompanhar a trama apresentada e todos os personagens que dela fazem parte. Palladino tem uma capacidade incrível de escrever diálogos rápidos, engraçados com tons dramáticos, ácidos e bastante peculiares – vide Gilmore Girls. Sagaz para escrever dramédias, a criadora não hesita em criar situações nesta tonalidade e apresentar monólogos espetaculares. É como um bolo sendo montado de forma original de deixar com água na boca, para então, acrescentar a cereja que faltava, o que neste caso é o momento em que a personagem de Brosnahan sobe ao palco para realizar os stand-up comedy, nestes trechos a série chega ao auge e brilha como nunca.




The Marvelous Mrs. Maisel também não hesita em alfinetar o machismo nosso de cada dia, especialmente numa época em que as mulheres lutavam por direitos iguais e para impor suas vozes. Muitos destes momentos são representados pela própria Mrs. Maisel, que passa de dona de casa para uma mulher que agora trabalha, busca uma carreira e começa a se inserir em um mundo antes desconhecido. É interessante acompanhar a saga da protagonista que conquista o público nos primeiros minutos do episódio piloto. É impossível não se apaixonar por ela!

É claro que uma produção audiovisual não é feita somente de um personagem e é preciso parabenizar Palladino por, novamente, criar figuras inusitadas, resgatando a memória dos fãs de Gilmore Girls para aquela cidade de Stars Hollow onde viviam pessoas que desejamos encontrar no mundo real. É impressionante como a mesma consegue marcar com tais criações, e ela faz o mesmo em The Marvelous Mrs. Maisel que possui um elenco tão bom quanto a escrita.

Personagens como Abe Weissman (Tony Shalhoub), Rose Weissman (Marin Hinkle), Imogene Cleary (Bailey De Young), Joel Maisel (Michael Zegen), entre outros, são agradáveis de se conhecer e conseguem divertir o telespectador, talvez Joel cause algum ranço nos mesmos, mas nada que não se possa conviver (ou não, né). O grande destaque, entretanto, fica para Susie Myerson (Alex Borstein) e Lenny Bruce (Luke Kirby), o segundo com uma participação menor, porém, não menos significativa. Tente não torcer por mais tempo de tela entre os mesmos com a Midge.

A direção é assinada por Palladino (5 episódios), Daniel Palladino (2 episódios) e Scott Ellis (1 episódio) e cumpre o dever que lhe é proposto acompanhando bem a história. Um ponto a se destacar é a trilha sonora que transmite ao telespectador os anos 1960 e a direção de arte que consegue fazer qualquer um se sentir vivendo aquela época junto com os personagens. Ah, outro detalhe que precisa ser destacado são as diversas referências a comediantes da época e até mesmo de épocas anteriores. Claro que quando se trata de Amy Sherman-Palladino é aquilo: piscou perde a referência. Portanto, fiquem atentos, pois muitas estão presentes na série.

The Marvelous Mrs. Maisel é uma delícia de série! É um bolo de chocolate com morangos numa tarde de domingo. É inteligente, feminista, afiada, conquistadora e difícil de não se apegar. Quero ver você não sentir vontade de assistir tudo de novo, especialmente os stand-up, depois que terminar!





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