Crítica | The Perfectionists – A Fraca Segunda Geração de Pretty Little Liars

Crítica | The Perfectionists – A Fraca Segunda Geração de Pretty Little Liars

Nota:


A série ‘Pretty Little Liars’ fez muito sucesso com o público jovem entre 2010 e 2017 por levar temáticas adultas ao universo juvenil. Durante sete anos, os fãs acompanharam o grupo de amigas se envolver em crimes, mentiras, segredos, reviravoltas e muita tensão. Agora, com a derivada ‘The Perfectionists’, o universo enigmático de Rosewood volta em novo cenário, porém com a mesma proposta.

Depois de tudo que aconteceu anteriormente, Alison (Sasha Pieterse, estática no papel) decide recomeçar a vida e aceita o emprego de professora assistente na UBH, a Universidade de Beacon Hights. Porém, nada é o que parece, e já no primeiro episódio Alison descobre que no ano anterior Taylor, herdeira da universidade, se suicidara, e que ela mesma não só estava morando na casa da moça, como também fora contratada por sua semelhança física com a garota. Tenso, não? E tem mais: quem mexera os pauzinhos para a sua contratação fora sua antiga amiga de Rosewood, Mona (Janel Parrish, bem ruizinha no papel).

Então Alison, já no primeiro dia de aula, conhece seus alunos problemáticos e, de cara, fica correndo atrás deles, dizendo que podem confiar nela. Eu hein. Aí conhecemos Nolan (Chris Mason), também herdeiro da universidade, o típico mandão babaca que tira vantagem pra cima de todo mundo. Ele tem um namoro de fachada com Caitlin (Sydney Park), que é a mais inteligente, menina prodígio, filha de uma importante senadora, a quem ele ameaça com fotos da traição da mãe dela. Só que Nolan, na verdade, ama Ava (Sofia Carson, o único ponto alto da série), que é filha de um dos caras mais procurados pelo FBI e, por isso, não é a nora ideal para os ricos influentes. Por fim, temos Dylan (Eli Brown), com quem Nolan teve um caso e a quem chantageia com fotos contra o atual namorado do rapaz. Então, Nolan é assassinado e os três jovens se tornam suspeitos, e, para limpar a barra, eles se unem numa amizade de ocasião para tentar esclarecer o crime.

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Como dá para ver, todas as justificativas são muito fracas na série, embora mantenha a forma do sucesso anterior. Dentre os pontos em comum, temos os segredos de cada personagem e a centralização dessas informações em uma pessoa, que chantageia todo mundo; há também a morte forjada, o assassinato e a implicação dos protagonistas como suspeitos; Alison e Mona estão de volta; há, ainda, o controle/ameaça de uma “entidade”, que manda mensagem por celular, vigia, assedia, sabe onde todo mundo está o tempo todo, etc. Para quem é fã, esses pontos de semelhança podem servir como um atrativo.

Apesar de manter as mesmas roteiristas da produção original – Sara Shepard e I. Marlene King –, o resultado final é sofrível. A insistência em se referir a Agatha Christie não salva o argumento da série, que tem por intuito passar o bastão do “legado das mentiras” para um novo núcleo jovem, agora a nível universitário. O roteiro é completamente preguiçoso, buscando soluções fáceis demaaaais, inaceitáveis até mesmo para o espectador mais generoso. Por exemplo: Caitlin vai investigar um suspeito sozinha, escondida atrás da árvore e, vejam só, o celular dela toca e ela a-ten-de, dizendo que está escondida espiando e, quando desliga, o suspeito sumiu; Dylan entra num túnel escuro e, depois de três passos, a lanterna falha; apesar de estudarem num campus que se orgulha de ter o melhor sistema de segurança do país, ninguém ali parece se preocupar em fechar a porta, e a toda hora um personagem entra em casa e encontra alguém ali, que entrou porque encontrou a porta aberta. É de acabar com a paciência de qualquer um.

A construção das falas também é beeem fajuta, com diálogos clichês, por vezes incompatíveis com a própria trama. Sem mencionar a continuidade, com personagens que estão bêbados e, na cena seguinte, estão lindos e sóbrios, ou personagens que saem de casa para encontrar alguém apenas para depois voltar para casa e encontrar alguém o esperando no quarto, etc. A montagem final também parece duvidosa, com cenas que literalmente parecem fora de lugar e outras que não se explicam nem ao final do episódio.

No geral, todas as atuações são fracas, o que dá a impressão de que não houve uma preparação de elenco, e isso inclui as atrizes da série original. Sasha Pieterse parece estar com torcicolo, nem um pouco à vontade com o próprio corpo, buscando escondê-lo com roupas de gosto duvidoso ou com mãos e posições estratégicas para esconder isso ou aquilo. Por quê? A sensação é de que ela está prendendo o ar o tempo todo. O único ponto positivo é Sofia Carson, uma atriz cheia de luz que preenche a tela com beleza, carisma e talento, única do elenco que conseguiu de fato levar algum sentimento ao seu personagem. Sem contar que, por ser estudante de moda, os figurinos que ela usa são de encher os olhos.

Para o título que tem, ‘Os Perfeccionistas’ é uma série com bastante erro. Não dá para encontrar uma razão para continuar assistindo, quanto mais para renovar próximas temporadas, embora o último episódio deixe um gancho estilo ‘La Casa de Papel‘.



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