Crítica | This is Us - Temporada 3: Doses homeopáticas de choro e muito drama

Crítica | This is Us - Temporada 3: Doses homeopáticas de choro e muito drama

Nota:

This is Us nos introduziu a um novo estilo de vida junto à TV. Quase uma terapia semanal, a produção se consagrou por ir além daqueles picos emocionais comuns que sentimos pelos personagens que nos afeiçoamos. De repente, uma simples série estava despertando audiências ao redor do mundo para um contato mais profundo com suas próprias emoções. É certo que se impactar com séries nunca foi uma raridade para os fãs, mas o programa original da Fox foi realmente mais longe. Obviamente, a expectativa era de que a terceira temporada rasgasse o peito. E isso ela faz muito bem, mas de maneira tão cauterizada, que a dor conseguiu ser bem menor daquela que sentimos com os primeiros dois ciclos.

A terceira temporada começa a unir alguns pontos escancarados nos primeiros anos. Com muitas perguntas a serem respondidas, a produção se esforça para trazer as respostas o quanto antes, nos levando à jornadas saudosas para o passado do nosso amado Jack (Milo Ventimiglia), mais vivo do que nunca. E conforme o que era e o que é começam a se entrelaçar, vamos descobrindo novas camadas dos nossos personagens, percorrendo áreas até então desconhecidas de Becky (Mandy Moore), à medida que também testemunhamos o crescimento do Grande Trio sem a presença do patriarca. Com mais conflitos surgindo na trama que já conhecíamos, sofremos com a tortuosa gravidez de Kate (Chrissy Metz), enquanto erros antigos voltam a perseguir Kevin (Justin Hartley) e a intensidade exagerada começa a afetar nosso segundo casal favorito da série, Randall (Sterling K. Brown) e Beth (Susan Kelechi Watson).

Mantendo o drama sempre nas alturas, a temporada honra os méritos técnicos conquistados no passado, mas entrega circunstâncias que - embora sejam realmente fortes - causam um impacto significativamente menor. Trocando em miúdos, espere chorar menos dessa vez. Acostumados à lágrimas incansáveis a cada nova revelação, assistimos semana após semanas ávidos por saber qual personagem vai provocar o choro livre em nós. No entanto, a carga dramática provocada no público é um pouco mais racional. Sentimos o peso das escolhas e dos problemas trazidos à tela, mas - no geral - tudo tem doído bem menos. O que não necessariamente é um mal sinal.

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E nessa temporada, o ápice da narrativa reside em Rebecca. Mas você só perceberá isso ao final da temporada. Traçando um paralelo entre o passado, o presente o futuro, a temporada traz mais flashforwards, que chegam a ser assustadores quando ficamos frente a frente com eles. Sendo sempre apresentados como um enigma a ser revelado, esses hiatos futurísticos revelam alguns desfechos dolorosos (ou não). E assim como saber a morte de Jack não tornou nada fácil sua descoberta para os fãs, não espere nada tão diferente em se tratando da amada mãe e avó. Retendo os spoilers para não estragar sua experiência, é válido dizer que o choque promovido entre os flashbacks e flashforwards nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos em nossa juventude e sobre o quão valioso o tempo é.

E a palavra-chave que define este ciclo é justamente tempo. Datando os acontecimentos dos personagens nesses três períodos da vida, é ele quem determina os reencontros, arrependimentos e as decisões apresentadas em tela. Precioso e valioso, ele se transforma em um protagonista invisível, que ajuda a ditar os próximos rumos de uma trama que os próprios criadores já sabem como se encerrará. E permanecendo reflexiva e até um pouquinho mais sofrida, a nova temporada da série é cheia de drama, traz raros momentos de alívio, alegria e tranquilidade, mas parece ter secado parcialmente nossas lágrimas. Pelo menos por hora. Mas o que o futuro de This Is Us no reserva? Ah, isso só mesmo o tempo nos dirá.


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