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Crítica | Tom Cruise retorna de forma GLORIOSA como Ethan Hunt no ótimo ‘Missão Impossível – O Acerto Final’


Tudo nos preparou para isso.

Há quase trinta anos, a franquia ‘Missão: Impossível’ fazia sua gloriosa estreia nos cinemas e se transformaria, pouco a pouco, em uma das sagas de maior impacto financeiro e cultural no cenário do entretenimento. Eternizando Tom Cruise como uma das maiores estrelas do cinema do cenário contemporâneo e influenciando diversas produções similares, a série de longas-metragens conquistou a crítica e o público capítulo a capítulo – ainda que nem todas as investidas tenham funcionado como deveriam. E, agora, chegou a hora de dar um provável adeus ao icônico Ethan Hunt da melhor maneira possível com ‘Missão: Impossível – O Acerto Final’.

A nova empreitada se passa dois meses após os eventos do capítulo predecessor, trazendo Ethan Hunt recém-escapado da Áustria e seguindo os passos do perigoso Gabriel Martinelli (Esai Morales), tentando a todo custo encontrá-lo e impedi-lo de colocar as mãos no programa de IA conhecido como Entidade – cuja vida artificial e senciente representa uma ameaça catastrófica que pode colocar um fim na civilização moderna como a conhecemos. Porém, ele não apenas deve completar essa missão quase suicida, como lidar com os clamores constantes de Erika Sloane (Angela Bassett), ex-diretora da CIA e agora presidente dos Estados Unidos, que pede para que Ethan devolva o único objeto que pode reaver um vírus cibernético e destruir a Entidade de uma vez por todas – uma misteriosa chave em forma de cruz.



Tom Cruise plays Ethan Hunt in Mission: Impossible – The Final Reckoning from Paramount Pictures and Skydance.

Dividido entre seu dever para com Erika e para com cada pessoa no planeta, Ethan une-se com pessoas de confiança – que incluem Grace (Hayley Atwell), Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhames), Paris (Pom Klementieff) e Degas (Greg Tarzan Davis) – para embarcar em uma mortal jornada que os leva para o fundo do Oceano Ártico e para as belíssimas pradarias da África do Sul para impedir que a inteligência artificial transforme o planeta em um cenário de guerra movido pelo desespero e pela subserviência obrigatória. E, contando com atuações impecáveis e cenas de ação de tirar o fôlego, a produção é um espetáculo visual e uma experiência sinestésica que merece ser apreciada em sua completude.

Christopher McQuarrie retorna à cadeira de direção para comandar esse capítulo de despedida – e faz isso com enorme respeito pelo legado que ajudou a eternizar. Voltando para sua quarta incursão dentro da saga, é notável como McQuarrie abraça cada um dos tropos das narrativas do gênero e as remodela através de uma equilibrada mistura de drama, suspense e uma pitada de comédia – garantindo, assim, um total envolvimento do público. E, ao ficar responsável pelo roteiro ao lado de Erik Jendresen, o realizador faz um último convite a uma fiel legião de fãs que com certeza irá se emocionar com essa despedida mais que merecida.

Falar das cenas de ação parece desnecessário a esse ponto, mas é inegável como Cruise, que, como bem sabemos, realiza suas próprias acrobacias de maneira irretocável, acrescenta ainda mais camadas de ousadia, pendurando-se de um monomotor, arriscando-se em mergulhos profundos e engajando em lutas muito bem coreografadas. E, acompanhado de uma montagem frenética (ainda que fragmentada demais) assinada por Eddie Hamilton, o caráter de entretenimento e do cinema em sua mais pura forma é alcançado com sucesso e nos deleita através de uma epopeica jornada de quase três horas de duração.

O elenco joga-se de corpo e alma a performances incríveis, desde o comprometimento máximo de Cruise, como explorado no parágrafo acima, o teor dramático e visceral de Atwell, as presenças memoráveis de Klementieff e Pegg – todos funcionando em sintonia com uma ambiciosa e grandiosa engrenagem que deseja, mais que tudo, encantar os espectadores. E, para reiterar interpretações aplaudíveis, temos uma encantadora e angustiante trilha sonora feita com maestria por Max Aruj e Alfie Godfrey, cujo arranjo instrumental não é redundante, e sim complementar à atmosfera criada cena a cena.

O filme não é livre de equívocos – que se destinam a repetições estilísticas cansativas tanto em alguns diálogos quanto em recursos imagéticos para explicar possíveis pontas soltas, talvez pelo fato de seus realizadores serem apaixonados demais por essa franquia. Todavia, por mais que os deslizes existam, isso não importa quando lidamos com as óbvias intenções desse longa-metragem: construir uma memorabília para um dos universos mais conhecidos da cultura pop e para uma das melhores sagas de ação das últimas décadas.

‘Missão: Impossível – O Acerto Final’ é um glorioso e suposto adeus – por mais que acreditemos que Ethan Hunt voltará para uma nova aventura de tirar o fôlego – e uma carta de amor não apenas à saga estrelada por Cruise, mas aos fãs que acompanharam essa instigante jornada desde o princípio.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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