quarta-feira, janeiro 7, 2026

Crítica: ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ Traz Passeio Pela China Histórica com Protagonistas Ofuscados

CríticasCrítica: ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ Traz Passeio Pela China Histórica com Protagonistas Ofuscados

O gato Tom e o rato Jerry são dois dos personagens mais conhecidos do mundo da animação. Exibidos incontáveis vezes na televisão aberta no Brasil e também na tv a cabo ao longo de décadas, os dois ganharam o gosto do público ao longo de muitas gerações, chegando aos dias de hoje com um sucesso ainda sólido no quesito de entretenimento infantil. Partindo de uma trama simples – um rato que implica com um gato e um gato que se irrita e persegue o rato – a dupla acaba de ganhar mais uma versão cinematográfica, ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’, que chega essa semana no circuito nacional.



Em mais um dia de pura provocação, Tom (na voz original de Mino Eek e no Brasil por Tatá Guarnieri) e Jerry (Yûki Tardh, no Brasil dublado por Marcelo Campos) estão num arranca-rabo em pleno museu quando, de repente, um artefato em exposição começa a brilhar: é a bússola mágica, que acaba transportando Tom e Jerry numa viagem atemporal, de volta à China antiga, na Cidade Dourada. Por cair dos céus com o artefato em mãos, Tom passa a ser visto como um deus cadente pelos moradores da cidade e por antigas figuras mitológicas que, por alguma razão, estão presas neste espaço-tempo. Porém, ao verem a bússola mágica, entendem que o objeto é a grande chance de conseguirem retomar aos reinos do céu, e, por isso, farão de tudo para consegui-lo.

As uma hora e quarenta e quatro de duração de ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ parecem muito mais enquanto assistimos ao filme. Escrito e dirigido por Gang Zhang, os personagens criados por William Hanna e Joseph Barbera acabam que são apenas o gatilho inicial para a aventura apresentada no longa. Ou seja, a partir da trapalhada de Tom e Jerry, os dois vão parar na China antiga – e, a partir daí, o filme se desenvolve ilustrando costumes e características chinesas para o público, focando a história no personagem deus-caído, seu fiel escudeiro que queria ser uma Fênix e um grupo de gárgulas cuja função é proteger a Cidade Dourada.

Se não fosse o artifício dos personagens de Hanna-Barbera, o longa poderia ser um interessante produto de divulgação cultural, cuja trama se destaca dentre outras animações da atualidade. Porém, para quem vai ver ao filme por causa de Tom e Jerry, provavelmente haverá um desapontamento, afinal, além de não falarem (só fazerem aqueles grunhidos típicos, mas que, num longa onde todo mundo fala, só os protagonistas não falarem fica esquisito), depois de viajarem no tempo os protagonistas são escanteados para elenco de apoio, com a história e os personagens chineses se sobrepondo na trama.

Porém, quem quiser ir ver ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ de coração aberto, encontrará nesta animação um mergulho na cultura chinesa (afinal, é uma coprodução China-EUA) – o que pode ser uma grande vantagem para adultos que quiserem apresentar às crianças histórias alternativas. Com qualidade técnica, ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ parte de dois personagens clássicos para atrair o Ocidente ao mundo oriental.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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