Crítica | Turma da Mônica: Laços – Live-action PERFEITO para todas as gerações!

Crítica | Turma da Mônica: Laços – Live-action PERFEITO para todas as gerações!

Nota:


Tem coisas que você nunca pensou que aconteceria na sua vida. Uma delas é que fizessem um filme com atores de carne e osso da famosa Turma da Mônica, o gibizinho mais querido e de maior sucesso do Brasil, que vendeu milhões de exemplares, alcançou inúmeros outros países e foi traduzido para diversas línguas (em inglês, ‘Monica’s Gang’, e em espanhol ficou ‘Monica y su Pandilla’). A outra é que um dia eu escreveria uma crítica sobre esse filme.

Esse momento chegou. E ele é NOSSO!

Turma da Mônica: Laços’ é baseado na HQ homônima de 2013 escrita e ilustrada por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi, com uma trama bem simples: Floquinho, o cachorro verde do Cebolinha, desapareceu de repente. Com isso, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali se juntam para ir atrás do cãozinho e, apesar dos esforços, os adultos não dão muita bola para o que eles estão falando. Preocupados com o destino do animalzinho, os quatro jovens decidem que eles mesmos precisam buscar o paradeiro do Floquinho, numa jornada que pode reserva perigos e aventura.

O roteiro de Thiago Dottori consegue transpor bem a ambientação do que seria o bairro do Limoeiro – um local meio parado no tempo, onde as famílias vivem em casas e as crianças brincam na praça. Thiago construiu uma história que alcança o imaginário coletivo de crianças de 8 a 80 anos, conseguindo abordar a trama com profundidade e, ao mesmo tempo, deixar sua própria assinatura, intercalando momentos de pura emoção com piadas inocentes típicas da juventude.

Aproveite para assistir:


Com a direção de Daniel Rezende (cujo último trabalho, ‘Bingo: O Rei das Manhãs’, foi uma das maiores bilheterias nacional de 2017), o longa flui com facilidade, sem deixar cair o ritmo nem mesmo nas cenas de ligação entre os atos. Ao contrário, a firmeza com que ele dirige o elenco mirim permite com que os quatro atores principais não se esqueçam de ser criança, e isso ajuda o espectador a entrar na história e se sentir parte da turma.

E se vocês estão preocupados com a caracterização… não se preocupem! O trabalho cuidadoso da equipe parece realmente ter dedicado atenção especial a todo e qualquer detalhe que pudesse contribuir na imersão do universo criado por Maurício de Sousa em 1959 – completando 60 anos este ano! [ALERTA DE SPOILER] Se você quer saber o que está no filme, tem desde um momento em que os personagens se descobrem sem sapatos (como eles são normalmente nos quadrinhos, menos o Cebolinha) à inserção de bichos de pelúcia do Jotalhão e do Horácio, para fazer menção aos outros núcleos criados pela Mauricio de Sousa Produções. E sim! Aparecem outros personagens queridos, como o Xaveco, a Cascuda, o Jeremias, o Quinzinho, o Papa-Capim, o Cranicola, o Titi e até mesmo o próprio Mauricio de Sousa, nosso Stan Lee brasileiro, fazendo uma pontinha numa banca de jornal e questionando o personagem que ele mesmo criou, numa metalinguagem de arrancar risadas. [FIM DO SPOILER].

No núcleo adulto, Monica Iozzi está esteticamente perfeita como Dona Luísa, mãe da Mônica, embora tenha poucas cenas. Já Paulinho Vilhena pareceu um pouco tímido como Seu Cebola, precisando se soltar mais. Mas quem realmente rouba a cena é Rodrigo Santoro, perfeito no papel do Louco. Rodrigo consegue humanizar o incompreendido personagem, ao mesmo tempo em que o eleva para o plano lúdico da imaginação e o aprofunda com questionamentos essenciais da a existência, fazendo-nos enxergar o personagem com outros olhos e desejar que ele tivesse mais espaço no longa.

E a garotada? Bom, todas as crianças dão um show em cena, fazendo-nos realmente acreditar que cada uma delas – Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão) – realmente nasceu para aquele papel. Laura transpassa toda a meiguice e a doçura da fofa da Magali; Gabriel consegue demonstrar a insegurança do Cascão; Kevin se destaca como sua capacidade de falar elado e suas expressões faciais; e Giulia é uma perfeita Mônica invocadinha, que faz você se encolher na plateia.

Turma da Mônica: Laços’ é um filme perfeito, que vai fazer você se emocionar nem que seja NAQUELA UMA CENA que a gente nem sabia que precisava, mas, ao ver na telona, você entende que realmente precisava. E é lindo. É um filme para você levar seus filhos, mas também é para levar o papai e a mamãe, a titia e a vovó, os professores e as amigas, afinal, todo mundo cresceu vendo as aventuras dessa turminha, então, é como reencontrar velhos amigos.



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