sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | Uma História de Natal Natalina – Sequência de Clássico do Natal é Adorável História de Passagem de Bastão





Perder um ente querido não é fácil. A falta que a pessoa faz no núcleo em que estava inserida é sentida por todos que conviviam com ela, mesmo à distância. Quando a pessoa que partiu é um indivíduo-chave no meio familiar – aquele que toma todas as responsabilidades para si, cuja casa é o centro dos acontecimentos de todos os eventos, que cuida de tudo e de todos – há um desequilíbrio: o buraco que ela deixa é grande demais para qualquer um se achar na capacidade de minimamente preenchê-lo. É exatamente neste ponto que começa ‘Uma História de Natal Natalina’, continuação do clássico estadunidense ‘Uma História de Natal’, e que chegou agora aos assinantes da plataforma HBO Max.

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Hoje adulto e pai de dois filhos, Ralphie Parker (Peter Billingsley) está tirando um ano sabático para realizar seu maior sonho: publicar seu primeiro romance. Só que o ano de 1973 está quase terminando e não só Ralphie não consegue terminar de escrever seu livro, como todas as editoras estão recusando-o. Numa mistura de frustração e resignação, sua família se prepara para receber seus pais para as festas de fim de ano. Porém, uma triste notícia pega-o desprevenido: seu pai falecera, e, portanto, sua mãe (Julie Hagerty) pede que ele e sua família vá até Cleveland passar o Natal com ela. Nesse retorno ao lar, Ralphie perceberá que estar de volta à famosa casa amarela da rua engatilha memórias reprimidas de sua infância. E também que o papel que seu pai exercia na família mantinha a todos unidos, mas agora essa responsabilidade será sua.

É bem verdade que o filme original de 1983 não fez tanto sucesso aqui no Brasil, mas quem é fã de filmes de Natal já assistiu a este clássico infantil. Com a importância de produzir uma sequência que ficasse à altura de seu antecessor, o roteiro de Nick Schenk e do próprio Peter Billingsley (que interpretara o menino no filme primevo) consegue fazer a passagem de bastão tanto na ficção quanto na vida real. No enredo, o maior conflito de Ralphie pode parecer ser escrever seu livro, mas, na verdade, é o peso da responsabilidade de construir um Natal tão memorável quanto os que seu pai proporcionara para ele e seu irmão, Randy (Ian Petrella). Aqui fora, a responsabilidade foi a de produzir um filme que significasse para as famílias contemporâneas aquilo que seu antecessor significara no século passado. E consegue ambos para a história criada por Jean Sheperd.

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As soluções encontradas pelo diretor Clay Kaytis para resolver os flashbacks são adoráveis, inserindo diálogos do filme anterior tais quais memórias do protagonista, surgindo toda vez que algum objeto/cenário icônico entra em cena (a roupa ridícula de coelhinho rosa, a poltrona do papai, etc). Ao mesmo tempo, consegue também recriar as principais cenas do anterior (tais como as crianças sofrendo bullying na rua para aprenderem a se defender) de uma maneira respeitosa e afetiva, para que os fãs consigam identificar. Tudo isso encabeçado por um elenco que majoritariamente eram as crianças no filme anterior e agora voltam como adultos e seus hilários problemas de gente grande.

Com humor e nostalgia, ‘Uma História de Natal Natalina’ é uma tocante história sobre assumir responsabilidades junto à família. E nada melhor do que falar disso nas festas de fim de ano através do cinema.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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