Verity chegou aos cinemas!
Colleen Hoover é uma das autoras mais populares da atualidade – e já teve vários de seus best-sellers adaptados para os cinemas. Tivemos, por exemplo, a conhecida releitura de ‘É Assim que Acaba’, que trouxe Blake Lively e Justin Baldoni às telonas e culminou numa infame disputa judicial que chegou ao fim recentemente; o cândido drama romântico adolescente ‘Se Não Fosse Você’, estrelada por Mckenna Grace e Mason Thames; e, mais recentemente, o um tanto quanto esquecível ‘Uma Segunda Chance’, que não fez o barulho prometido nos cinemas. E, caminhando para mais uma adaptação de seus best-sellers, Hoover nos convida para conhecer o vibrante e perigoso mundo de ‘Verity’ – um thriller erótico que chega muito em breve ao circuito nacional.
A trama nos apresenta a Dakota Johnson como Lowden Ashleigh, uma escritora emergente que, apesar de conseguir pagar suas contas com as vendas dos livros, ainda não conseguiu o destaque que ela ou seu editor esperavam. Porém, as coisas mudam quando ela recebe uma oferta inesperada: coassinar os volumes restantes da aclamada saga assinada pela famosa Verity Crawford (Anne Hathaway), que sofreu um acidente de carro e entrou em estado catatônico, impossibilitada de continuar a presentear seus fãs. A proposta, na verdade, não vem apenas dos responsáveis pela gloriosa carreira da romancista, mas de seu marido, o enigmático Jeremy (Josh Hartnett).

A princípio relutante, Lowden acaba caindo na lábia de Jeremy – com quem havia cruzado caminho horas antes em um trágico acidente de carro que os uniu como pelo destino – e aceita o trabalho, mudando-se temporariamente para a residência do casal para “entrar na cabeça de Verity” com acesso ilimitado aos manuscritos e aos rascunhos da autora. Todavia, ela encontra um estranho pendrive que contém uma autobiografia não publicada. Curiosa, Lowden começa a folhear as páginas do documento secreto apenas para descobrir uma verdade sombria que paira sobre a família – e que envolve uma tragédia grotesca que persegue cada um deles.
Com Anne Hathaway e Dakota Johnson, suspense ‘Verity’ DIVIDE a crítica internacional
Considerando que estamos diante de um suspense erótico com ares de drama psicológico – e que a história partiu da familiar mente de Hoover -, a adaptação cinematográfica tinha o únivo objetivo de entreter o público. Afinal, seguir os passos de ‘A Empregada’, que levou Sydney Sweeney e Amanda Seyfried em uma jornada muito similar e que se configurou como uma das produções mais despojadas do ano, não deveria ser uma tarefa difícil. Infelizmente, a produção falha até mesmo nos quesitos mais básicos, esquecendo-se de divertir os espectadores em prol de uma história que tenta ser maior do que consegue.

Michael Showater, conhecido pelos elogiados ‘The Big Sick’ e ‘Uma Ideia de Você’, oferece ao público uma incursão um tanto quanto diferenciada de suas investidas anteriores, mas falha em nos convencer de que uma nova adaptação dos escritos de Hoover é, de fato, necessária. Em outras palavras, não há qualquer senso de urgência ou de conflito que seja realmente memorável, apostando em uma atmosfera tão comedida que chega a ser difícil se conectar com qualquer um dos núcleos apresentados – seja nas cenas na cronologia presente, seja em constantes flashbacks que são salvos pelo poder incomparável de Hathaway em seu versátil leque performático.
O grande problema da obra é, como já mencionado, se levar a sério demais para um tipo de história que não pode exigir isso a qualquer momento. Diferente do supracitado ‘A Empregada’, Showater e seu time artístico pende para uma robusta arquitetura que não abre espaço sequer para um respiro – reclinando-se em uma base sisuda que se estende pelas quase duas horas do filme. Com exceção de uma breve cena em que Johnson tira sarro de si mesma e de um interessante momento de mudança brusca de tom envolvendo Hathaway e Hartnett, o projeto soa protocolar demais para nos distrair e muito superficial para oferecer originalidade. Ao menos o filme ganha pontos pelo typecasting de Johnson como Lowden – que é descrita no livro da mesma maneira encarnada pela atriz – e por um interessante design de produção que traz uma certa personificação à casa em que a família Crawford mora.

Sabemos que obras do gênero exigem uma suspensão da realidade significativa, mas ‘Verity’ se apressa tanto em nos convocar à reviravolta final, que acaba duvidando da capacidade cognitiva do público em uma explicação detalhada em demasia. Não apenas isso, mas o roteiro assinado por Nick Antosca, que já nos mostrou sua excêntrica criatividade em ‘Channel Zero’ e ‘Vingança Sabor Cereja’, transforma o que poderia ser um interessante thriller psicossexual em uma impalpável mixórdia de tons que não acerta nem mesmo quando o alvo está bem à frente.
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