Milla Jovovich é conhecida por uma gama considerável de filmes de ação, tendo ganhado fama ao interpretar Alice na franquia guilty pleasure ‘Resident Evil’, que se estendeu por seis longas-metragens inspirados na saga homônima de games de terror. Em uma expressiva carreira dentro do gênero, a atriz também encabeçou produções como ‘Monster Hunter’ e ‘Nas Terras Perdidas’, mantendo um nível de qualidade conhecido e que, na maioria das vezes, não agradou à crítica, mas entregou uma divertida e despretensiosa aventura para os fãs da performer. Agora, ela está de volta com o thriller de ação ‘Vingadora’, que chegou aos cinemas nacionais hoje, 26 de março.
Na trama, Jovovich interpreta Nikki, uma veterana de guerra que se aposenta do campo de batalha após o trágico falecimento do marido para cuidar da única filha, Chloe (Isabel Myers). Culpada por não estar mais presente nos primeiros anos da jovem garota, ela caminha sobre uma corda-bamba que parece empurrar Chloe cada vez mais para longe – até que, em seu aniversário de dezesseis anos, a garota resolve sair às escondidas de casa para se divertir com as amigas em um bar local. Nikki, então, descobre a localização da filha e percebe que precisará voltar à ativa ao descobrir que a filha foi sequestrada por uma organização conhecida como Sindicato, cujo modus operandi é o tráfico de menores de idade.

A soldada, então, tomada por uma fúria incontrolável, parte em uma jornada para reencontrá-la e, utilizando todo seu treinamento nas zonas de guerra, colocar um fim no reinado dos traficantes. E, como podemos imaginar, o longa-metragem seja uma interminável cartilha de fórmulas do gênero que, não contente em contar uma história bastante familiar uma vez, a repete em uma falta de comprometimento artístico que transforma a obra em uma regurgitação de tantos outros títulos similares – e cujo único ponto positivo é o bem-vindo carisma de Jovovich “quebrando tudo” em mais um papel como heroína quase sobre-humana.
Adrian Grünberg, que dirigiu os recentes ‘O Demônio dos Mares’ e ‘Rambo: Até o Fim’, assume as rédeas do filme e resolve jogar todos os convencionalismos dos filmes de ação, resgate e suspense em um grande liquidificador, misturando diálogos previsíveis e arcos vazios em uma estilização exagerada que se estende por pouco mais de uma hora e meia. Aliando-se ao roteiro de Bong-Seob Mun, o realizador tem um caminho muito claro que precisa se trilhado e que se vale de sutilezas sem muito sentido para nos guiar à cruzada pessoal de Nikki. A protagonista tem apenas um objetivo: encontrar Chloe e salvá-la das garras de seus algozes de uma vez por todas – e que, infelizmente, culmina em uma frustrante reviravolta anticlimática que nos deixa mais revoltados do que satisfeitos ou reflexivos.

Mesmo não tendo qualquer intenção de trazer algo novo a esse expansivo espectro da sétima arte, Grünberg não soa motivado nem mesmo em fazer o básico, apoiando-se em “embelezamentos” desnecessários que incluem a exaurível montagem de Christian Wagner e uma melodramática e novelesca trilha sonora assinada por Don Cherel que não tem qualquer espaço dentro do que nos é mostrado. Não há uma linha de pensamento que é seguida à risca, trazendo temas que são discutidos apenas na superfície, enquanto a justaposição de sequências de luta e de momentos dramáticos destoam totalmente por não acreditarem nem mesmo na história que se desenrola.
De qualquer maneira, ver Jovovich se divertindo nunca é demais – e, aqui, ela se rende a mais um papel que aposta em suas habilidades marciais e que rompem a linha entre a realidade e a ficção em uma mixórdia de todas as protagonistas que já interpretou nas telonas. E, envelopada em uma sucessão de diálogos esquecíveis e uma narração descartável e que serve apenas como elemento de redundância, ela faz o possível e o impossível para nos guiar pelo enredo, sem nos deixar respirar um segundo antes de embarcar em mais uma missão para resgatar Chloe e para desmantelar de uma vez por todas o Sindicato.

Não há muito a se dizer sobre ‘Vingadora’ além do óbvio – e nem mesmo o filme se preocupa em escapar disso. Tangenciando discussões sociais sem trazer uma faísca de densidade ou de crítica (e, em alguns momentos, glorificando a guerra e o trabalho dos militares estadunidenses), o longa-metragem é transformado em um palco para o monólogo de Jovovich e em uma sucessão de erros inescapável que opta por ocasionalidades infinitas em vez de se preocupar em nos entreter.


