Janeiro é o mês do auge do verão aqui no hemisfério sul, época de temperaturas altas e pensamentos voltados para o mar, para o ar-condicionado ou qualquer outra coisa que faça a gente pensar em algo que não seja o calor. Mas o fã mesmo de terror curte ver filmes com essa pegada faça chuva ou faça sol, literalmente, porque não há tempo feio para um bom susto ou uma boa torcida nos miolos. Como opção no aluguel sob demanda, para além das plataformas usuais, chega esse mês para o público brasileiro o suspense psicológicoVozes do Passado’.

Grávida, Ellie (Emma Draper) está de volta ao casarão onde seus avós moraram para tentar escrever um livro sobre suas pesquisas sobre ocultismo. Mas isso significa também ter que encarar sua mãe, Ivy (Julia Ormond), e todas as cobranças que veem à tona quando as memórias da casa começam a vir à superfície a medida em que Ellie vai voltando a se familiarizar com o local. Porém, enquanto sua mãe está empenhada em encaixotar as coisas dos pais para jogá-las fora, Ellie está disposta a reabrir as feridas do passado para descobrir a verdadeira verdade dos segredos do passado.



Desenvolvido em uma hora e meia de duração, ‘Vozes do Passado’ tem uma premissa interessante, mas uma má execução que coloca todo o projeto em escanteio. O enredo se desenrola de maneira não só arrastada, mas confusa. As peças do quebra-cabeças do filme vão sendo apresentadas em flashbacks desconexos que se chocam com cortes abruptos da edição, que jogam o espectador para o tempo presente da narrativa de maneira um tanto quanto despreocupada, como se fosse bastante lógico entender o que está acontecendo na trama porque sabemos do tal segredo da família – algo que, claro, não sabemos, porque é o grande lance do filme.

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Por outro lado, temos ambas as atrizes entregando um bom trabalho em conferir dubiedade e profundidade às protagonistas, em sequentes cenas de conflito mãe e filha. E talvez esse seja a grande problemática do roteiro de Jake Mahaffy e Tim van Dammen: uma boa ideia cujo panorama para sustentá-la se arrasta por conta de uma economia de orçamento e centralização da trama em apenas dois personagens enfurnados em uma casa. Cabia ao diretor Jake Mahaffy tem aprofundado, pelo menos, a intensidade do suspense e do terror, espalhando-os mais ao longo de sua produção, e não apenas concentrar todos os esforços para o último arco do filme.

Apesar de cozinhar mui lentamente, ‘Vozes do Passado’ traz cenas interessantes de terror, que mesclam o sobrenatural com um pouco de ficção científica. Ainda que demore para mostrar a que realmente veio (e meio que apresentar a grande revelação da história de maneira bem bagunçada), ‘Vozes do Passado’ é um filme bastante alegórico, estilo ‘Mãe!’, calcado no embate psicológico das relações familiares e, portanto, produzido de maneira a extrair o melhor de seu elenco. Para tal, traz alguma bizarrice e cenas escatológicas de terror, então, quem curte essas coisas, pode ser interessante dar uma olhada neste ‘Vozes do Passado’, já disponível para aluguel nas plataformas.



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