sábado, janeiro 3, 2026

Crítica | Walker Scobell e Leah Sava Jeffries brilham no 5º episódio da 2ª temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’

CríticasCrítica | Walker Scobell e Leah Sava Jeffries brilham no 5º episódio da 2ª temporada de 'Percy Jackson e os Olimpianos'

Cuidado: spoilers à frente.

A 2ª temporada de Percy Jackson e os Olimpianos’ vem se mostrando como uma sólida e envolvente adaptação dos escritos de Rick Riordan – não apenas nos envolvendo com ótimos enredos que se desenrolam episódio a episódio, mas provando que é sempre bom aprender com os erros do passado e polir alguns excessos criativos. Afinal, essa foi a principal crítica negativa dada ao ciclo de estreia da série, algo que, até agora, foi compreendido pelas mentes criativas da atração para os novos episódios. E, após um irretocável quarto episódio, somos presenteados com mais uma incursão incrível que tomou forma com o título “We Check In to C.C.’s Spa & Resort”.



O quinto capítulo se inicia logo após os chocantes eventos da semana anterior, em que Clarisse (Dior Goodjohn), em um ímpeto para destruir Caríbdis em meio a uma tempestade, destruiu o navio que lhe foi dado pelo pai, Ares (Adam Copeland), levando-a, ao lado de Percy (Walker Scobell), Annabeth (Leah Sava Jeffries), Tyson (Daniel Diemer) e sua tripulação, para o centro de um mortal ciclone que os separou mais uma vez. E é a partir daí que a narrativa toma forma: dividindo-se em apenas dois núcleos que são explorados com maestria inegável, a mais recente iteração mantém o altíssimo nível de qualidade da temporada e, pouco a pouco, nos prepara para o inescapável encontro dos nossos heróis com o perigoso ciclope Polifemo e em rota de colisão com o poderoso Velocino de Ouro – o objeto que deverão usar para salvar Thalia e o Acampamento Meio-Sangue.

O primeiro núcleo é focado em Percy e em Annabeth. Os dois semideuses, depois de quase morrerem, acordam em uma estranha instalação que descobrem ser o único refúgio para os heróis no Mar de Monstros. Gerenciado pela misteriosa C.C., acrônimo de Circe (Rosemarie DeWitt), o local serve como um spa para que os aventureiros recarreguem suas energias, confrontando suas maiores fraquezas para que saibam como agir quando decidirem sair da ilha. O problema é que, habitando os recifes que a circulam, existem perigosas sereias que atraem os heróis para sua eventual ruína, utilizando seus próprios defeitos para atraí-los com ilusões – o que torna a saída da dupla mais difícil ainda.

E isso não é tudo: Circe, ainda que afirme repetidas vezes que aprendeu com os erros de um passado distante (afinal, ela foi responsável por prender Odisseu e seus companheiros), possui uma vendeta pessoal contra os semideuses e se utiliza de artifícios psicológicos para mantê-los em um tratamento que nunca acaba e que os torna prisioneiros inadvertidos de um treinamento infindável. Eventualmente, Percy descobre o que está acontecendo e cai na armadilha da feiticeira, que o transforma em uma chinchila para impedi-lo de contar o segredo aos outros – mas Annabeth, dotada da inteligência que sua mãe, Atena, lhe concedeu, reverte o feitiço, liberta os outros prisioneiros que foram transformados em animais, e escapa, por pouco, da ilha.

O segundo núcleo nos leva para o lar de Polifemo (Aleks Paunovic), onde Clarisse é arrastada para a orla da praia apenas para ser raptada pelo ciclope. Conduzida para a caverna de Polifemo, a jovem e impetuosa guerreira se reencontra com Grover (Aryan Simhadri), esquadrinhando um plano para escapar de lá através de uma claraboia, recuperar o Velocino e voltarem para o Acampamento. Porém, dentro de uma das melhores reviravoltas da temporada, Polifemo revela seus verdadeiros poderes, emulando a voz de Grover para fazer com que Clarisse morda a isca e ambos se vejam em uma situação de vida ou morte que premedita os eventos do próximo episódio.

Catriona McKenzie fica responsável pela direção e, apoiando-se nas fórmulas de outras produções fantasiosas, diverte-se ao nos jogar pistas que serão encontradas pelos personagens para que seus arcos ganhem desenvoltura aos moldes da jornada do herói, como é de praxe dentro do panteão de Riordan. Aliando-se ao roteiro de Sarah Watson, McKenzie abre espaço para algumas explorações mais dramáticas e que denotam o tom amadurecido da adaptação – e que, com sorte, será levado para as próximas iterações.

Goodjohn e Simhadri fazem um ótimo trabalho no núcleo que lhes é destinado, navegando pela aventura e pela comédia com naturalidade invejável, mas o destaque da semana vai para a química esplendorosa de Scobell e Jeffries, que exploram lados novos de seus respectivos personagens em uma aliança fervorosa e que representa tanto a maior força quanto a maior fraqueza que possuem. A cereja do bolo emerge com a presença de DeWitt como uma versão mais despojada da conhecida feiticeira Circe, divertindo-se em um papel que parece ter sido delineado especialmente para ela.

O quinto capítulo da 2ª temporada de Percy Jackson e os Olimpianos’ é uma grata entrada para um dos títulos mais populares do Disney+, mantendo-se fiel à essência dos escritos de Rick Riordan à medida que explora tramas e subtramas que tornam os personagens, protagonistas ou coadjuvantes, mais acessíveis aos espectadores – não poupando esforços para construções heroicas que, mesmo familiares, são práticas e aprazíveis como devem ser.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 7 de janeiro.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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