quinta-feira, janeiro 8, 2026

Crítica | ‘Xamã: O Exorcista Pagão’ – Um filme de exorcismo convencional com excessos de Jump Scare

CríticasCrítica | 'Xamã: O Exorcista Pagão' - Um filme de exorcismo convencional com excessos de Jump Scare

Os filmes sobre exorcismos – ou mesmo sobre situações inexplicáveis ligadas ao sobrenatural – sempre despertam uma enorme curiosidade do público. A questão é como a premissa se desenvolve em forma de narrativa: se abrem contextos ou ficam estáticas, com a função meramente exclusiva de pontos de partidas para conflitos que buscam a tensão. Dentro dessa corrente, chegou à HBO MAX um suspense/terror que envolve crenças, fé, o sofrimento físico e espiritual, além do sombrio daquilo que foge à compreensível.



Xamã: O Exorcista Pagão, dirigido pelo cineasta colombiano Antonio Negret, apostas suas fichas em uma jornada de cura que envolve interseções religiosas e o querer acreditar, sob o ponto de vista de uma missionária que percorre uma estrada de descrença e o questionamento pessoal. Essa trajetória é inserida em uma narrativa repleta de movimentos que alcançam o susto – o recurso narrativo conhecido como Jump Scare -, algo que deixa de surpreender no decorrer da trama.

Candice (Sara Canning) chegou tempos atrás com seu marido Joel (Daniel Gillies) e o filho Elliot (Jett Klyne) até ao Equador para evangelizar toda uma região indígena que mora numa região fria e remota. Aceita pela comunidade, os planos são de ampliar a estadia e cumprir o objetivo proposto. Só que isso tudo muda quando seu filho é possuído por uma espírito maligno, e tudo que ela acredita cai por terra, tendo que encontrar soluções ligadas à uma sabedoria que desconhece, e até mesmo ao exorcismo, conforme a situação se complica.

O roteiro, assinado por Daniel Negret (irmão do diretor), é até certo ponto um enorme enigma, sem reviravoltas que saltam aos olhos mas que se reconstrói a cada virada de página. Parte de uma validação da fé desenfreada que parece buscar alguma crítica social, mas logo se expande, dentro dos contextos dos conflitos apresentados, até alcançar um ato amoral simbólico que subverte o entendimento da base que sustenta a história. Isso até pode ser visto como algo interessante, mas a forma como se desenvolve, principalmente pela tentativa de chegar na tensão a qualquer custo, deixa peças pelo caminho.

Rodado em uma famosa região montanhosa, perto dos Andes, Xamã: O Exorcista Pagão chegou ao Top1 da HBO MAX. Não é um dos piores filmes desse subgênero do terror – longe disso. Pra quem curte pular da cadeira com sustos clássicos de filmes de terror, pode ser que o projeto cumpra seu papel; já para quem busca algo mais elaborado, com explicações diretas e roteiro amarrado, aí a probabilidade de agradar é mais baixa.

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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