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Crítica | ‘Zootopia 2’ expande o icônico universo da Disney com uma história instigante


Há quase uma década, a Walt Disney Studios encontrava um novo ápice criativo com o lançamento da irretocável animação Zootopia. Sucesso de bilheteria e vencedora do Oscar, a produção nos levou a uma espécie de utopia em que os animais vivem em paz e tranquilidade – até a ordem ser ameaçada por uma artimanha perigosa que foi desvendada pelos nossos adorados detetives e policiais Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman). E, nove anos mais tarde, a Casa Mouse resolveu revisitar esse vibrante universo com a aguardada sequência Zootopia 2’, que chega aos cinemas nacionais amanhã, 27 de novembro.

Na continuação, Judy e Nick fizeram história ao impedirem os planos malignos da então vice-prefeita Bellwether (Jenny Slate), tornando-se parceiros de trabalho do Departamento de Polícia de Zootopia. Apesar dos avisos do Chefe Bogo (Idris Elba) de que deveriam acompanhar os oficiais veteranos da delegacia, Judy e Nick agem por conta própria para capturar os bandidos e garantir que a justiça seja feita na cidade – envolvendo-se, dessa vez, não apenas com uma história centenária que voltou a ganhar palanque, mas com as diferenças que colocam sua parceria em xeque e que lançam dúvida na confiança da população para com eles (ainda que tenham sido coroados como heróis).



Interceptando um traficante que trabalha nas docas da cidade, Judy e Nick descobrem que, pela primeira vez em cem anos, uma cobra foi vista perambulando pelas ruas – escolhendo um antigo livro que serviu como base para as colunas climáticas que dividem os distritos de Zootopia como alvo para provar que, na verdade, os répteis foram vítimas de um plano maligno arquitetado pela família Lynxley, governada pelo patriarca Milton (David Strathairn). Sendo o grupo mais poderoso e influente da Tundralândia, os Lynxley têm o objetivo de expandir seu império às custas de outros animais que foram exilados ou banidos para outros territórios – e é aí que surge Gary A Cobra (Ke Huy Quan), que precisa colocar as mãos no livro para provar que a ideia das colunas climáticas partiu de uma ancestral sua e levar sua família de volta para casa (uma comunidade perdida de répteis que está enterrada sob a neve).

Como podemos perceber, a narrativa permanece fiel à identidade buddy-cop aventuresca e misteriosa do filme anterior, mas ganha elementos mais profundos que dialogam com a complexidade dos personagens e as subtramas que os acompanham. Afinal, Zootopia funcionou como apresentação desse mundo antropomórfico e dos protagonistas que aprendemos a amar – deixando espaço de sobra para que, introduções à parte, o time criativo esquadrinhasse outros aspectos que justificam a existência da continuação e a transforma em uma das melhores sequências da Disney (além de uma das melhores animações da década).

Divulgação/ Walt Disney Animation Studios

O trabalho do elenco é primoroso e não só se mantém a par do altíssimo nível do longa predecessor, mas esmiuça outros lados que ainda não vimos – seja na necessidade de reafirmação e de validação externa de Judy ou no complexo de solidão e de abandono de Nick, afetando o sólido relacionamento entre os protagonistas até que ambos sejam arremessados para um arco de redenção e de perdão que acompanha o clássico “final feliz” da história. E, como ótimos acompanhamentos, Quan traz uma performance como a adorável e esperançosa cobra Gary, enquanto Andy Samberg faz um trabalho espetacular como o ansioso e duvidoso Patalberto, filho mais novo dos Lynxley; e Patrick Warburton emerge com sua conhecida voz como o divertido e inconsciente Brian Winddancer, um ex-astro do cinema que se torna prefeito de Zootopia como parte do plano dos Lynxley antes de se tornar um improvável herói.

Jared Bush e Byron Howard retornam para a sequência com um desejo de não apenas construir uma narrativa tão boa quanto a primeira, mas que chega a superar várias incursões, seja no andamento da história – que deixa de lado algumas ocasionalidades e aposta fichas em uma homenagem aos clássicos enredos de mistério, aventura e comédia que estende suas referências diretas tanto a ícones da Disney quanto a investidas atemporais da sétima arte que continuam a inspirar realizadores ao redor do planeta. E, ao assumir a responsabilidade do roteiro, Bush expande esse cosmos de maneira fluida e sem abandonar o que nos foi mostrado em 2016, utilizando os melhores aspectos da animação para esquadrinhá-los em uma maximização colorida, envolvente e emocionante.

UNRAVELED – In Walt Disney Animation Studios’ “Zootopia 2,” rookie cops Judy Hopps (voice of Ginnifer Goodwin) and Nick Wilde (voice of Jason Bateman), who find themselves unraveling a mystery alongside a snake called Gary De’Snake (voice of Ke Huy Quan). From the Oscar-winning team of Disney Animation chief creative officer Jared Bush and Byron Howard (directors) and Yvett Merino (producer), “Zootopia 2” releases in theaters Nov. 26, 2025. © 2025 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

Zootopia 2’ é uma conquista para a Walt Disney Studios e um lembrete de que, às vezes, apostar em continuações de clássicos instantâneos é um movimento sagaz e certeiro – e retornar a esse incrível mundo ao lado de Judy e Nick é uma experiência maravilhosa que funciona como uma carta de amor às animações e às glórias de um dos maiores estúdios de todos os tempos.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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